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Crítica

Com uma honrosa exceção, O Jogo do Predador é melhor no papel do que na prática

Charlize Theron estrela filme da Netflix que nunca cumpre todo seu potencial

Omelete
3 min de leitura
24.04.2026, às 09H24.
O Jogo do Predador (Reprodução)

Créditos da imagem: O Jogo do Predador (Reprodução)

Foram incontáveis os momentos, durante a pouco menos de 1h30 de duração de O Jogo do Predador, em que este crítico se pegou pensando: “Agora vai!”. A produção da Netflix está cheia desses pontos de ignição, e o maior deles vem quando — não se trata de spoiler, já que todos os trailers e materiais promocionais do filme entregavam a virada da trama – a protagonista Sasha (Charlize Theron) descobre que o até então solícito Ben (Taron Egerton) na verdade é um assassino em série canibal, determinado a caçá-la pela selva da Austrália e transformá-la em sua próxima refeição.

Até ali, o filme de Baltasar Komákur (Evereste) de certa forma justifica sua estrutura vacilante. É tudo preparação de terreno, afinal, e o cineasta islandês certamente se esforça para fazer dessa preparação uma jornada agradável, pontuada por bela fotografia de natureza (assinada por Lawrence Sher, de Coringa), e valores de produção que em muito ultrapassam a média das produções de streaming. As filmagens em locação impressionam, assim como os efeitos especiais pontuais utilizados para frisar condições mais extremas — especialmente na boa sequência de abertura, ambientada em uma montanha perigosa na Noruega, onde Sasha enfrenta trauma fundador de sua personalidade.

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Da metade para frente, no entanto, fica mais difícil perdoar O Jogo do Predador por sua hesitação, até porque ela se transforma em contrato quebrado com o espectador. Veja só: quem veio para ver um filme de perseguição na floresta australiana, como o material promocional prometia, simplesmente não vai encontrá-lo. Todas as sequências de ação aqui parecem estar pela metade, como se não quisessem se comprometer em ser o que são. Sasha foge, é encontrada, é presa, é arrastada de um lado para o outro, mas Komárkur e seu montador habitual (Sigurdur Eythorsson) não exploram nenhuma situação pelo seu valor dramático ou seu impacto físico.

Não existe maratona de ação, nem aquele prazer meio mecânico de entender como a nossa protagonista vai se safar dessa ou daquela dificuldade. Ben e Sasha, no papel, são um duo de habilidades bem pareadas — o que quer dizer que são um desafio de verdade um para o outro —, mas O Jogo do Predador não parece querer ser o filme sobre esse confronto. E estaria tudo bem, é claro, se ele quisesse ser alguma outra coisa interessante. Mas a impressão é que sempre que o roteirista Jeremy Robbins (Uma Noite de Crime) esbarra com alguma boa ideia, não parece achá-la boa o bastante para investir sua história toda nela.

O resultado é um longa cheio de promessas, mas poucas entregas. Quase um terror de serial killer genuinamente macabro (a performance animalesca de Egerton como o vilão é louvável, mas está no filme errado), quase uma história de homem vs. natureza, quase um drama de ação sobre luto e superação. Quase tudo, e quase nada de realmente excitante — com a exceção de uma sequência, lá no final, em que o atletismo de Theron, a escala da produção e o olhar admirado de Komárkur se juntam para criar alguns minutos de cinema palpavelmente ansioso. É emocionante, mas é muito pouco.

Nota do Crítico

O Jogo do Predador

Apex

2026
95 min
País: Canadá, Austrália, EUA, Islândia
Direção: Baltasar Kormákur
Roteiro: Jeremy Robbins
Elenco: Eric Bana, Taron Egerton, Charlize Theron
Onde assistir:
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