O Grinch

Créditos da imagem: Universal Pictures/Divulgação

Filmes

Crítica

O Grinch

Com abordagem mais fofa e menos rabugenta, animação traz mensagem positiva sobre o que é o espírito natalino

Mariana Canhisares
18.11.2018
19h25

São poucos os personagens que conseguem resistir a décadas e décadas, sem desgastes, como o Grinch. Símbolo natalino, sobretudo na cultura norte-americana, a criação do escritor e cartunista Dr. Seuss foi apresentada ao público no final dos anos 1950, mas até hoje habita o imaginário de adultos e crianças quando o final do ano se aproxima. Dessa vez, porém, não foi preciso esperar o Natal chegar para que o rabugento elaborasse seus planos para acabar com a alegria dos Quem. Contando a história tradicional, a Illumination e a Universal Pictures apresentam, agora em animação, O Grinch para as novas gerações.

Esqueça o realismo bizarro da caracterização do live-action de 2000. A produção dirigida por Yarrow Cheney e Scott Mosier é envolta por uma fofura, evidente no próprio traço do design dos personagens. Embora o visual ainda remeta muito às outras obras dos estúdios, tudo é muito encantador e, por isso, é fácil embarcar no clima natalino - ou antinatalino, como queira. Fato é que essa escolha estética afeta diretamente a abordagem do protagonista. Se no Grinch de Jim Carrey víamos uma acidez, a versão animada dele é tão inocente que é quase boba, como se você soubesse desde o princípio que ele está se esforçando muito para ser mau.

Nesse sentido, a escolha de Lázaro Ramos para dublar a versão nacional do longa foi positiva. O ator expressa bem esse lado mais infantil dado ao personagem e parece à vontade para brincar com a sua voz nas idas e vindas da jornada de Grinch. Ainda que ele já tenha trabalhado como dublador antes, Ramos acaba sendo uma grata surpresa no filme.

Para além das travessuras da criatura verde e mau-humorada, Cindy-Lou rouba a cena também na animação. Enquanto o protagonista monta seu plano, a menina sai em uma missão paralela para conseguir realizar o seu desejo de Natal. Para isso, ela quer pegar o Papai Noel no flagra e pedir, cara a cara, que sua mãe consiga ter uma vida melhor, isto é, que não se resuma ao trabalho e ao cuidado dela e dos seus irmãozinhos. Toda a jornada da pequena personagem, muito lúdica e genuína, trata a criança com esperteza, colocando-a como agente da própria história. E mais: põe a empatia e a generosidade como elementos centrais da festança. Assim, ao final da narrativa, a menina se torna uma heroína não apenas por salvar o Natal dos Quem, mas por dar uma chance ao Grinch e resgatar seu coração.

Mesmo com as mudanças de uma versão para a outra, é possível argumentar que não havia necessidade de um novo O Grinch. Entretanto, é inegável que a animação, mais do que trazer um calorzinho no coração bom nesse final de ano, deixa uma mensagem positiva aos espectadores. Em tempos tão brutos, ela é mais do que bem-vinda.

Nota do Crítico
Bom