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Shrek | Crítica

O fim anunciado

Marcelo Forlani
15.06.2001
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h12
Atualizada em 21.09.2014 às 13h12

O reinado absoluto da Disney está acabado. Com a estréia de Shrek, a Disney deixa definitivamente de ser a detentora absoluta da arte de fazer animações com qualidade técnica e retorno comercial (não só nas bilheterias, mas também em licenciamento de brinquedos, jogos e fitas de vídeo e DVD). A Dreamworks é hoje uma realidade.

O estúdio do qual são sócios Steven Spielberg, David Geffen e Jeffrey Katzenberg estreou com O Príncipe do Egito e FormiguinhaZ, ambos de 1998. Em Caminho para Eldorado (2000) mostrou que não estava brincando e, no mesmo ano, aprensentou ao mundo o maravilhoso A Fuga das Galinhas. Shrek é um ippon (golpe perfeito, na regra das lutas marciais) que deixa o império Disney caído no chão.

Shrek

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O contra-ataque virá em dose dupla e ainda este ano! Dia 29 de junho, entra em cartaz no Brasil Atlantis - O Reino Perdido, o desenho animado de meio de ano (verão no hemisfério norte) do império criado por Walt Disney. E quando o Central Park estiver repleto de folhas avermelhadas, em 2 de novembro, a Pixar, parceira da Disney para animações criadas por computador (responsável por Vida de Inseto e Toy Story 1 e 2) lança Monsters Inc. Aqui, o filme será chamado Monstros S.A. e deve chegar às salas de exibição no dia 14 de dezembro.

Politicamente correto é o escambau!

Shrek é um ogro, verde, grande e nojento. Sua primeira cena já mostra que os meninos de South Park e a dupla Beavis & Butthead influenciaram muito na hora de escrever o roteiro. O monstrão aparece, pasmem, aliviando-se no banheiro! Depois disso, hora da higiene pessoal. Mais escatologia na telona, porém, dentro do que a doentia sociedade americana permite.

O alvo principal do filme são os personagens de contos de fada. O pessoal do Dreamworks não deixou escapar ninguém. Estão lá a Branca de Neve, junto com seus sete anões e o espelho mágico, Pinóquio e o vovô Gepeto, Sininho, os três porquinhos, o Lobo Mau e uma longa lista. Preste muita atenção para não deixar passar ninguém em branco. Para quem gosta das velhas histórias de ninar, esta é uma das brincadeiras mais legais do filme: listar as participações especiais.

Além de tirar um sarro de uma das principais fontes de inspiração da Disney, os contos de fada, os diretores Andrew Adamson e Vicky Jenson, alfinetam a casa do Mickey em alguns pontos estratégicos. O Burro, companheiro de Shrek, tenta entoar uma canção e é logo cortado pelo personagem principal. A princesa protagoniza uma das cenas mais engraçadas da fita também quando começa a cantar. Outra piada é o reino do vilão Farquaad, um legítimo parque de diversões... igualzinho aqueles que recebem milhões de pessoas na Flórida, Califórnia, Europa e Japão ;-)

Tecnologia em favor da história

Shrek tem dois importantes diferenciais técnicos em relação aos seus anteriores. Um deles é o uso de uma ferramenta (shapers) que permite criar camadas de ossos, musculatura, pele, etc, o que torna os personagens gerados por computador mais reais, com mais emoção. A outra é o Fluid Animation System, que permite criar texturas como nunca se viu antes. É impressionante ver como o vestido da princesa Fiona se assemelha ao veludo!

Uma prática comum nas animações de hoje é usar emprestado as vozes de atores famosos de Hollywood. As personagens são geralmente criados à imagem de quem as dubla. É o caso de Woody (Tom Hanks), em Toy Story, e Weaver (Sylvester Stallone) e Z-4195 (Woody Allen), em Formiguinhaz, para citar um caso de cada estúdio.

Shrek quebra este regra ao colocar o pequeno Mike Meyers (Austin Powers) para interpretar o gigante verde que tem seu pântano invadido por criaturas vindas dos contos de fada. O Burro (voz de Eddie Murphy - Um tira da pesada), fiel escudeiro do ogro, é a personificação daqueles sujeitos malas que não param de falar, são intrometidos, folgados, mas no fundo até que são legais. É engraçado ver como seus trejeitos são na verdade de um cachorro e não do empacador animal de carga. Para voltar a viver sossegado e sozinho, Shrek faz um acordo com o tirano Farquaad (dublado por John Lithgow, o Dick Soloman da série Third Rock from the Sun): terá seu pântano de volta se resgatar a princesa Fiona (voz emprestada por Cameron Diaz - Quem vai ficar com Mary?), prisioneira em um castelo guardado por um dragão.

Um belo argumento, não? E ainda tem moral da história. Segundo o próprio personagem principal: as coisas são mais do que aparentam. Até parece um daqueles roteiros escritos para a Disney, né? Mas o recheio... quanta diferença!!!

Shrek é imperdível! Tanto quanto era A fuga das galinhas. A diferença é que na animação britânica dos galináceos a dublagem foi feita por profissionais. Desta vez, tiveram a infeliz idéia de colocar Bussunda (Casseta & Planeta) para interpretar o personagem principal. Se possível, procure por uma cópia legendada.

Shrek
Shrek
Shrek
Shrek

Ano: 2001

País: EUA

Classificação: LIVRE

Duração: 89 min

Direção: Andrew Adamson, Vicky Jenson

Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio, Joe Stillman, Roger S.H. Schulman

Elenco: Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, John Lithgow, Vincent Cassel, Peter Dennis, Clive Pearse, Jim Cummings, Bobby Block, Chris Miller, Cody Cameron, Kathleen Freeman, Conrad Vernon

Nota do Crítico
Excelente!

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