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Crítica

Crítica: O Fantasma da Ópera

O Fantasma da Ópera

Ederli Fortunato
25.02.2005
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h17
Atualizada em 21.09.2014 às 13h17

Finalmente sai da gaveta, depois de dezessete anos, a versão para os cinemas de O Fantasma da Ópera, de Andrew Lloyd Webber. O musical, baseado no romance de 1908, de Gaston Leroux (1868-1927), estreou em Londres em 1986 e segue em cartaz há dezesseis anos na Broadway. Já a adaptação hollywoodiana atrasou devido ao divórcio entre Webber e a cantora Sarah Brightman, escalada originalmente para viver Christine, e também por uma falta de crença, pré-Moulin Rouge, de que um musical daria certo.

Com o sucesso estrondoso da peça assombrando a produção, a escolha de um novo elenco para os papéis principais virou prioridade. Com Sarah parece não ter havido problema, já que ela está dezessete anos à frente da personagem - uma adolescente capaz de acreditar que a voz que ouve pelas paredes da Ópera de Paris é o anjo que seu pai prometeu que lhe enviaria do céu.

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Já a troca de Michael Crawford, protagonista nos palcos que, aos sessenta anos, poderia parecer velho demais para seduzir uma garota de dezesseis, foi mais dolorosa. Inclui-se aí petições de fãs e cartas de ódio a Antonio Banderas, um dos candidatos ao papel. Considerando que a peça já foi montada em dezoito países, no entanto, determinar que Crawford é o melhor por ter sido o primeiro tem um tanto de presunção, mesmo sendo sua voz realmente inesquecível.

Assim, os escolhidos do diretor Joel Schumacher para viverem o triângulo amoroso são Gerard Butler, Emmy Rossum e Patrick Wilson. Porém, mais importante do que saber se são os mais indicados é acompanhar o drama de Christine, a moça cercada pelos três homens de sua vida: o fantasma que a trouxe até o sucesso; Raoul, o namorado; e o pai falecido que, inadvertidamente, a entregou nos braços do homem que vive nos porões do teatro.

Preocupação com o real

Visualmente, o filme é perfeito, desde a introdução ao estilo das filmagens do início do século XX, até a volta ao tempo do teatro iluminado a gás em que a ação acontece. Schumacher se preocupa em detalhar os bastidores, onde uma multidão de técnicos e bailarinas inspiradas em Degas trabalha em meio a corredores intermináveis. Ao contrário da peça, em que a onipresença do fantasma e seus poderes são um tanto místicos, o filme faz questão de explicar quem ele é, como faz seus ataques. O diretor aproveita e transforma o duelo com Raoul em algo mais concreto que uma chuva de bolas de fogo. Não ofende a história, mas dá uma idéia do que Schumacher pensa da capacidade mental do público.

Do elenco, Minnie Driver foi a única dublada durante as cenas. Não que isso atrapalhe sua Carlotta, uma caricatura perfeita e cômica de diva da ópera, barraqueira como Cicarelli alguma. Já Emmy Rossum, que na época da filmagem tinha realmente dezesseis anos, rende uma ótima Christine. Sua voz é bonita e até mais agradável ao público geral do que a de uma cantora de ópera. Patrick Wilson, como Raoul, se limita a ser o namorado que pode ser apresentado à família.

Agora, a questão principal: como Gerard Butler se sai?

Acumulando mais um papel-título - ele foi Átila e Drácula nos filmes de mesmo nome - Butler cria um fantasma não muito assustador, mas jovem e sedutor. Na verdade, fica difícil imaginar algo muito horrível debaixo da máscara quando a parte descoberta do seu rosto é aquela maravilha. A tensão vem mais da sua obsessão criminosa. Como cantor, Butler é correto sem ser nenhum assombro e melhora ao longo do filme. O que importa é que o público feminino vai sair do cinema apaixonado por ele.

Não se pode esquecer, no entanto, que o filme é um musical. As pessoas cantam os diálogos. Todos eles. Se você acha isso muito estranho, nem a maravilhosa cena do cemitério vai salvá-lo. Já quem lembra da rosa vermelha como símbolo de A bela e a fera pode esquecer o musical infantil. A flor, agora, é propriedade de outro.

Nota do Crítico
Bom