Filmes

Crítica

O Exterminador do Futuro: Gênesis | Crítica

Retorno da franquia pede benção a James Cameron, mas não sai de sua sombra

Érico Borgo
02.07.2015
12h06
Atualizada em
02.07.2015
12h02
Atualizada em 02.07.2015 às 12h02

O Exterminador do Futuro: Gênesis é curiosamente ao mesmo tempo inovador e tradicionalista ao empregar como premissa um elemento fundamental, mas inteiramente inexplorado da franquia O Exterminador do Futuro no cinema. O filme, o quinto da série, pela primeira vez mostra a viagem no tempo além do clarão azulado que conhecemos desde o longa de 1984 em que James Cameron despontou.

O recurso da ficção científica é empregado para criar algo que é um híbrido de reinício e refilmagem, já que aproveita partes do longa original, regravadas, mas com alterações significativas. Basicamente, a premissa acompanha o que acontece se existisse uma viagem no tempo antes da que conhecemos, que colocou o incansável Exterminador (Arnold Schwarzenegger) no encalço da frágil Sarah Connor (Linda Hamilton, no original).

Aqui, alguém enviou um T-800 (de novo Schwarzenegger, 30 anos depois), mas aquele alterado "do bem" de O Exterminador do Futuro 2, para cuidar de Sarah ainda menina, treinando-a para que se torne a mulher durona que conhecemos muito antes da hora. Vivida por Emilia Clarke, a Khaleesi de Game of Thrones, a personagem tem uma relação completamente diferente com o androide - mas uma que segue temas bastante comuns à série. John Connor (Jason Clarke) e Kyle Reese (Jai Courtney) também assumem papeis semelhantes aos originais, mas que logo ganham novos direcionamentos, que os atores aproveitam bem. As homenagens aos dois filmes de Cameron são inúmeras - enquanto os dois seguintes são sumariamente ignorados.

A relação quase paternal que Sarah tem com o T-800, chamado aqui carinhosamente de "Papi", é bastante interessante e rende momentos cômicos pouco comuns à franquia, que operam dentro da tendência atual dos filmes de ação. Schwarzenegger ri de si mesmo com piadas sobre estar velho, "mas não obsoleto" e personagens frequentemente questionam o absurdo dos nós que a trama tece a cada discussão sobre continuum, linhas temporais, etc. O novo Exterminador definitivamente não quer ser levado muito a sério - e usa essas muletas para esse fim (ainda que o T-800 explique constantemente esses conceitos).

As perseguições, explosões e pancadarias, por sua vez, são razoáveis. Funcionam, mas Alan Taylor (também de Game of Thrones e Thor: O Mundo Sombrio) não é nenhum James Cameron. Ou sequer um McG (que dirigiu o quarto filme) nesse sentido. Exterminador do Futuro: Gênesis é bastante genérico aí, mostrando algum diferencial apenas quando há o embate do T-800 com o novo modelo T-3000, formado de nanopartículas. É como se o oponente fosse formado de uma nuvem, capaz de se esquivar sem esforço. A luta entre T-800 também agrada, especialmente pelo uso do T-800 com o visual de Schwarzenegger jovem, aos 37 anos.

Lamentavelmente, porém, a decisão da Paramount Pictures de revelar a reviravolta principal do filme em trailers e até no cartaz é bastante prejudicial ao filme. Seria uma surpresa marcante essa descoberta durante o longa, algo que o tornaria muito mais interessante. Há outra reviravolta na história, mas ela não tem o mesmo peso e está ali para justificar a continuação - já planejada.

Ao final, O Exterminador do Futuro: Gênesis resulta em um produto razoável por conseguir repaginar a franquia dentro de seus conceitos, mas fica a certeza de que um diretor com mais peso poderia ter dado mais personalidade e impacto ao filme. A franquia pode estar velha, mas para que não fique obsoleta precisa oferecer algo a mais que carros capotando, vilões saindo do fogo, helicópteros em CGI esquisita e repetições de fórmulas consagradas.

O Exterminador do Futuro: Gênesis | Cinemas e horários

Nota do Crítico
Bom