Netflix

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

O Date Perfeito

Sem muito brilho, longa não acrescenta em qualidade à nova empreitada de filmes adolescentes da Netflix

Matheus Bianezzi
07.05.2019
16h45
Atualizada em
07.05.2019
20h26
Atualizada em 07.05.2019 às 20h26

De olho em seus próprios algoritmos, a Netflix tem fomentado seu catálogo com comédias românticas adolescentes. E, para tal, um novo galã namoradinho da internet era necessário. Se você é fã do ator Noah Centineo, O Date Perfeito (The Perfect Date) será tão perfeito quanto o título sugere - mesmo que seja um filme bastante bobinho até para os padrões do gênero, que não é conhecido por ser super preocupado em revolucionar e surpreender. Se a popularidade do longa já estava prevista mesmo antes de ser lançado, a trama se prova tão previsível quanto. Basta alguns minutos de filme para entender tudo. 

Brooks Rattigan (Centineo) é o arquétipo perfeito do que a cultura pop demanda dos tempos atuais: é gato, sensual e ao mesmo tempo super respeitoso com quem se relaciona. Um bom rapaz com sonhos de mudar o mundo. Com o objetivo de estudar em Yale após o ensino médio, o jovem decide criar um aplicativo para ser acompanhante de mulheres e levantar uma grana.  Em troca de um pagamento justo, Brooks “se aluga” no melhor estilo Uber para realizar o "date perfeito" de suas clientes, seja interpretando um rapper, um jogador de tênis competitivo, um dançarino de salsa ou até mesmo um idiota com piadas sobre cocô. Tudo isso, claro, sem conotações sexuais inclusas no pacote - embora soe improvável se tratando de um aplicativo de encontros. 

Assim como Brooks troca de fantasia diariamente, as atitudes e convicções dos personagens mudam com a velocidade de um estalo. Mesmo que o cerne do filme seja buscar sua própria verdade - o jovem interpreta mil personas para os outros, mas se sente vazio e confuso -, é inevitável tudo soar superficial. Não dando uma personalidade específica e forte pra nenhum personagem em particular, O Date Perfeito se apoia em clichês em sua essência narrativa e deixa com que o público complete as entrelinhas. Isso é interessante do ponto de vista poético, afinal, não dando uma individualidade marcante para Brooks, é como se o espectador pudesse escolher todas as nuances dele, exatamente igual ao aplicativo. Já do ponto de vista narrativo, apenas corrobora para ser um filme esquecível, daqueles nada marcantes que você assiste só uma vez. 

Falando em clichês, são poucos os que o filme escapa. Logo no início, somos condicionados a crer que o roteiro tomará um caminho e qual será o tom de cada personagem. Celia Lieberman (Laura Marano) será a rebelde descolada, porque em sua primeira cena está usando coturnos com vestido; Shelby Pace (Camila Mendes) certamente será fútil, rica e popular, afinal, em sua cena de introdução está tirando uma selfie numa festa; já de Brooks Rattigan temos que ter dó e nos apaixonar, porque em seus primeiros momentos um valentão o xinga por ser pobre. Quando inseridos em uma história bem trabalhada e com vários camadas, os clichês podem ser eficazes. No caso de O Date Perfeito apenas tornam o longa previsível e sem complexidade alguma. 

De todos as produções que Noah Centineo participou dessa nova empreitada da Netflix, Para Todos os Garotos que Já Amei ainda permanece sendo o melhor. O filme lançado em agosto equilibra bem melhor os clichês clássicos de comédias românticas adolescentes e personagens unidimensionais - mesmo que não seja nenhuma obra de arte. O Date Perfeito entra direto para aquela sua lista de filmes confortáveis, que aquecem o coração em certo grau, mas nunca provocarão sentimento mais profundo e, tão prazeroso quanto é assistir, é esquecer que ele foi feito. Entretanto, o que o longa prova é que Centineo é o novo queridinho da América e tudo bem, não precisamos escapar disso, pois ele interpreta muito bem esse papel - tanto na ficção quanto no mundo real. 

Nota do Crítico
Regular