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Crítica

O Concurso | Crítica

Neochanchada sabe o que quer, mas não sabe como fazer

Marcelo Hessel
18.07.2013, às 17H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 15H02
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 15H02

Embora no papel a premissa de O Concurso pareça próxima demais de Se Beber, Não Case! - quatro caras numa noite de perda total às vésperas de um grande compromisso - a comédia escrita por Leonardo Levis e L.G. Tubaldini Jr. é inconfundivelmente brasileira, naquilo que herda das chanchadas: o deboche com as instituições, o humor sexual e, principalmente, uma disposição sincera de traduzir o Brasil do seu tempo.

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Já na seleção dos candidatos percebe-se que o filme fará esse retrato a partir do escracho: um nerd caipira do interior de São Paulo (Rodrigo Pandolfo), um gay enrustido de Pelotas (Fábio Porchat), um pai de família religioso do Ceará (Anderson Di Rizzi) e um malandro carioca (Danton Mello) são finalistas para o concorridíssimo concurso público de juiz federal. As situações cômicas em que eles se envolvem na véspera da prova final, no Rio de Janeiro, servem para jogar com esses estereótipos.

Independente do impasse que se coloca no início do filme - se o espectador vai ou não aceitar esses tipos caricatos como seus "representantes" - há em O Concurso um inconfundível comentário sobre o estado das coisas no país, desde o momento em que Porchat se traveste de mulher e sensualiza no tribunal até a hora em que a esposa pede para o marido "não fazer mais promessas".

O presidente da comissão de juízes não é um sósia de Joaquim Barbosa por acaso... Nestes tempos em que o Supremo Tribunal Federal parece, nas sessões transmitidas na TV, um reality show do qual conhecemos cada vez menos, o filme tenta aproximar as altas instituições da população. A comédia de estereótipos se presta bem a isso porque é, de alguma forma, o idioma falado por todos.

Se as piadas de O Concurso funcionam ou não dentro dessa proposta, já é outra questão. Muitas situações cômicas são mal estabelecidas (um personagem come maconha numa cena e nada acontece) e mal encenadas (a câmera parece capaz de percorrer só uns cinco metros numa cena de ação) e o diretor estreante Pedro Vasconcelos tem dificuldade em dar agilidade a essas situações - o que mata o timing de humor que Porchat e Mello haviam exibido bem em Vai que Dá Certo.

O que fica ao fim é o risco de ser condescendente com O Concurso, porque embora os planos sejam pensados para significar algo (a profusão de bandeiras do Brasil no final, por exemplo), a ação e o humor não acompanham. E se era pra fazer piadas de anão e de gostosa, que elas pelo menos fossem boas.

O Concurso | Cinemas e horários

O Concurso
O Concurso
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O Concurso

Ano: 2013

País: Brasil

Classificação: 12 anos

Duração: 100 min

Direção: Pedro Vasconcellos

Elenco: Danton Mello, Fábio Porchat, Rodrigo Pandolfo, Sabrina Sato, Carol Castro, Anderson De Rizzi

Nota do Crítico
Regular

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