Cena de O Banquete

Créditos da imagem: O Banquete/YouTube Imovision/Reprodução

Filmes

Crítica

O Banquete

Como um prato de gosto amargo, longa de Daniela Thomas não é para todos os públicos

Marcelo Forlani
07.09.2018
09h29
Atualizada em
07.09.2018
09h41
Atualizada em 07.09.2018 às 09h41

Logo no começo, na primeira cena de O Banquete (2018), a protagonista Nora (Drica Moraes) vem andando até a mesa do jantar, para na frente de um espelho todo dividido e começa a chorar. A imagem mostra a personagem toda quebrada - por dentro e por fora. Este reflexo multifacetado serve também para seu marido, Plinio (Caco Ciocler), que chega logo em seguida completamente bêbado. O coitado do “menino” (Chay Suede) que vai trabalhar servindo o jantar é quem sofre com os mandos e desmandos e vai acompanhando um a um os convidados chegarem.

A desculpa para o tal banquete é o aniversário de 10 anos de casados de Bia (Mariana Lima) e Mauro (Rodrigo Bolzan), mas o motivo real do encontro só vai ser conhecido com o desenrolar da história, que se passa quase que inteiramente neste ambiente, como num teatro filmado. Antes mesmo dos pratos serem servidos, o caríssimo vinho italiano vai regando os ânimos, que estão à flor da pele. Mauro, editor de uma importante revista de alcance nacional, acabou de publicar uma carta aberta ao presidente da República e corre risco de ser preso a qualquer momento. A tensão no ar é mais densa do que o caldo da ostra servida de entrada.

E a cada prato, a cada nova garrafa, o clima vai alternando piadas e insinuações que vão acrescentando camadas ao drama ali vivido. Não demora para que a conversa entre na intimidade das pessoas ali presentes, escancarando que os 10 anos de matrimônio ali celebrados têm raízes anteriores, com muitos assuntos inacabados e outros tantos mal resolvidos. Estão naquela mesa peças de um quebra-cabeças que não conhece sua figura final e, mais do que isso, não quer ser montado.

Daniela Thomas, que co-dirigiu vários filmes com Walter Salles, tinha o roteiro pronto há vinte anos. O formato inicial era mesmo de uma peça de teatro e o foco maior não é na história, mas sim na entrega dos atores, nas suas falas, nos suas entregas. Assim, quem for ao cinema esperando um drama com pano de fundo político pode acabar se decepcionando. O Banquete está mais para um longa-metragem que, com seu gosto amargo, vai deixar muita gente com o estômago embrulhado. Outros, porém, podem curtir.

Nota do Crítico
Bom