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Crítica

O Amante da Rainha | Crítica

Um romance iluminado pela razão

Natália Bridi
07.02.2013, às 19H44
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 14H53
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 14H53

Aos 15 anos, Carolina Matilde da Grã-Bretanha deixou a Inglaterra para se casar com seu primo, Christiano VII, e se tornar Rainha da Dinamarca. Da imagem idealizada do seu príncipe prometido, encontrou um monarca insano e um país intelectualmente nas trevas.

O amante da rainha

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Em O Amante da Rainha, o diretor Nikolaj Arcel e o roteirista Rasmus Heisterberg (que trabalharam juntos na adaptação original de Os Homens que Não Amavam as Mulheres) partem da história de Carolina (Alicia Vikander), e do anunciado caso extraconjugal do título, para narrar a chegada da razão ao seu país.

A câmera segue a jovem rainha sempre de perto, mostrando quase em primeira pessoa o choque entre a visão inglesa pós-Revolução Gloriosa, que permitia a leitura de filósofos como John Locke, e a Dinamarca do século 18, que censurava pensamentos e era guiada por dogmas religiosos. Rejeitada pelo esposo e excluída pelos nobres, Carolina descobre sua luz na figura de Johann Friedrich Struensee (Mads Mikkelsen), o alemão de ideias Iluministas que chega à corte como médico pessoal de Christiano (Mikkel Boe Følsgaard), o único capaz de contornar os impulsos do rei. Observando o isolamento da rainha, Struensee recebe ordens para examinar Carolina e descobrir as causas do seu "mau humor". A má vontade da jovem durante a consulta se transforma assim que seus olhos encontram Rousseau e Voltaire na estante do médico. Da leitura dos Iluministas nasce o romance que mudaria a história da Dinamarca.

A partir desse relacionamento amoroso/intelectual, Arcel e Heisterberg constroem um filme completo, capaz de tratar romance e história política com a mesma intensidade. A tensão do amor proibido, que evolui sutilmente até explodir, contrasta diretamente com a introdução das ideias de igualdade e liberdade que marcariam as grandes revoluções daquele século - da Declaração da Independência dos Estados Unidos a Revolução Francesa. Assim como o relacionamento dos amantes esbarra nas convenções da nobreza, as ideias Iluministas de Struensee (a abolição da tortura, do trabalho escravo, o fim da censura e dos privilégios da nobreza, por exemplo) precisam enfrentar os valores de aristocratas e religiosos que se recusam a deixar o poder.

Vencedor do Urso de Prata em Berlim, o roteiro de O Amante da Rainha não cai nos lugares-comuns dos filmes de época românticos. Apesar do cuidadoso trabalho de figurino e direção de arte, seu foco é sempre a narrativa, conduzida pelas grandes atuações de Alicia Vikander, Mads Mikkelsen e Mikkel Boe Følsgaard (vencedor do Urso de Prata de Melhor Ator). Uma história real, colorida pela ficção, capaz de mostrar que os valores iluministas continuam relevantes em uma época nem sempre guiada pela razão.

 

Nota do Crítico
Ótimo
O Amante da Rainha
Em Kongelig Affaere
O Amante da Rainha
Em Kongelig Affaere

Ano: 2012

País: Dinamarca

Classificação: 14 anos

Duração: 137 min

Direção: Nikolaj Arcel

Elenco: Mads Mikkelsen, David Dencik, Alicia Vikander, Mikkel Boe Følsgaard, Trine Dyrholm, Thomas W. Gabrielsson, William Jøhnk Nielsen, Cyron Bjørn Melville, Laura Bro

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