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Crítica

Notre Salut não sustenta história burocrática sobre a França na 2ª Guerra

Estrelado por Swann Arlaud (Anatomia de uma Queda), filme francês não encontra faísca alguma

Omelete
3 min de leitura
20.05.2026, às 14H23.
Cena de Notre Salut (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de Notre Salut (Reprodução)

É, de certa forma, natural que Notre Salut (Nossa Salvação, em português) seja um filme burocrático. Seu protagonista, afinal, é um burocrata. Inspirado no bisavô do cineasta belga Emmanuel Marre, este é um homem que sua esposa não viu mais depois de uma separação triste no fim da Segunda Guerra Mundial, e que o próprio só conheceu por cartas descobertas muito tempo depois.

Interpretado por Swann Arlaud (Anatomia de uma Queda), Henri Marre desembarca em Vichy, no norte da França, aos 49 anos de idade. Paris acabou de ser tomada pelos nazistas e há uma ideia sendo espalhada de que a guerra já acabou, e que a França agora precisa ser salva de um colapso total para não virar só mais uma extensão da Alemanha. Autodenominado um estrategista político e autor de um livro comercialmente fracassado no qual ele prega eficiência acima de tudo, Henri enxerga esse momento como uma oportunidade. Sem dinheiro, ele tenta frequentar círculos de pessoas influentes e vender seu peixe onde pode. Então, uma porta se abre: o Ministério do Desemprego.

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Recém criado pelo regime de Philippe Pétain, marechal pró-Alemanha, esse departamento visa criar empregos para pessoas que perderam seus trabalhos na guerra, e Henri até faz um bom trabalho em conquistar bons números. Nós sabemos que nada disso importa, e algumas pessoas à sua volta parecem ter a mesma visão. Quer porque sejam nazistas pouco preocupados com a situação da França, quer porque sejam franceses incrementalmente cientes de que não há como aceitar essa ocupação, eles vêem algo que Henri não vê.

Para o prejuízo fatal do filme, Marre adota uma perspectiva semelhante. Ou talvez seja mais apropriado dizer que, tematicamente, ele não adota perspectiva alguma. Notre Salut é melhor definido por seu título em inglês: A Man of His Time (Um Homem do Seu Tempo), porque o que a abordagem do diretor coloca em tela é uma história cuja importância, pequena como seja, é exclusiva àquele lugar e àquele tempo. Sem desenvolver nenhuma espécie de personalidade para Henri, Notre Salut luta para justificar sua existência o tempo todo. Qual é, exatamente, o drama? Quem é, exatamente, esse personagem?

Tão unicamente vidrado no sucesso de sua carreira e na certeza de que todos enxergarão seu valor, Henri nunca é desafiado pelo filme, e a atuação de Arlaud sugere uma figura constantemente presa na própria cabeça, sem espaço para que o conheçamos. É verdade que o próprio roteiro de Marre usou como ponto de partida o desconhecido, mas é frustrante ver a aparente falta de curiosidade do realizador no que diz respeito ao emocional, moral e ético do seu bisavô. 

Sua única jogada é no formalismo. Inserindo músicas que só foram criadas 40 anos depois e filmando boa parte do longa como um documentário – inclusive com uma luz montada em cima da câmera para cenas noturnas –, Marre até consegue criar um efeito curioso que nos transporta para a França no começo dos anos 1940. Uma vez lá, porém, o diretor abandona o posto de guia e nos deixa pra trás com uma série de imagens que ele nunca explora.

Nota do Crítico

Notre Salut

2026
155 min
País: França, Bélgica
Direção: Emmanuel Marre
Roteiro: Emmanuel Marre
Elenco: Swann Arlaud
Onde assistir:
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