Nosso Sonho eleva a história de Claudinho e Buchecha para além da nostalgia

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Nosso Sonho eleva a história de Claudinho e Buchecha para além da nostalgia

Cinebiografia da dupla retrata o sucesso e o luto com sensibilidade

Omelete
3 min de leitura
21.09.2023, às 12H14.

É quase impossível falar do funk nacional sem citar Claudinho e Buchecha. A dupla marcou os anos 1990 numa explosão midiática que transcendeu as comunidades e chegou ao país todo, muito por conta da energia, da acessibilidade e do charme dos rapazes de São Gonçalo. Por estes e outros motivos, é curioso pensar que demorou mais de 20 anos para uma produzirem um filme inspirado na história do duo. Nosso Sonho chega aos cinemas agora como um atestado não apenas da importância da dupla mas também da força que o funk adquiriu no cenário cultural do país.

Mais do que recontar a trajetória - cujo legado segue vivo na carreira solo de Buchecha hoje - o filme do diretor Eduardo Albergaria analisa o passado numa tentativa de reconstituir com urgência as alegrias e os dramas daquela época. Narrado por Juan Paiva, intérprete da versão adulta de Buchecha, o longa passa constantemente a energia de alguém que está desabafando sobre erros e acertos do passado em uma sessão de terapia.

A cinebiografia faz então a escolha do relato hiperssensível, atribuindo a momentos de intimidade e também aos pequenos passos profissionais uma importância amplificada. Assim, Buchecha “revive” o caminho percorrido ao lado de seu parceiro de longa data, e é divertido acompanhar como a dupla idealizou alguns de seus passos de danças e letras de músicas mais famosas, ao mesmo tempo em que sufoca ver o cantor encarar os problemas com seu pai, Souza (Nando Cunha).

É ao focar na vida privada de Claudinho e Buchecha que Albergaria aposta suas cartas. Se o público já sabe de cor e salteado as letras dos principais hits da dupla, assim como suas conquistas, são as nuances de suas vitórias e derrotas pessoais dos jovens Cláudio e Claucirlei que buscam cativar. É um trunfo que o filme tem, e que viabiliza na sensibilidade do roteiro escrito por Albergaria, Fernando Velasco, Mauricio Lissovsky e Daniel Dias.

Uma boa escalação de elenco é central numa empreitada emocional desse tipo, e Juan Paiva e Lucas Penteado parecem os atores certos para dar vida aos protagonistas. O primeiro retrata com perfeição a dramaticidade e timidez de Buchecha, enquanto o segundo emana a luz e a energia (e a língua presa) que Claudinho carregava consigo - ao menos aos olhos de seu melhor amigo.

Ainda que tenha uma ou outra licença poética para encaixar a jornada da dupla nos moldes cinematográficos da superação e do triunfo, Nosso Sonho funciona melhor se de fato visto através do prisma de Buchecha. Há uma vontade palpável na obra de mostrar que, para ele, Claudinho foi muito mais do que um amigo ou parceiro de trabalho. Através dessa mensagem, Albergaria eleva a história de Claudinho e Buchecha para além do que a nostalgia dos anos 1990 poderia sugerir. E nem mesmo o fim trágico da dupla poderia apagar.

Nota do Crítico
Ótimo
Nosso Sonho
Nosso Sonho
Nosso Sonho
Nosso Sonho

Ano: 2023

País: Brasil

Direção: Eduardo Albergaria

Elenco: Nando Cunha, Tatiana Tiburcio, Juan Paiva, Lucas Penteado

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