Nossa, eu filmei isso! | Crítica
Nossa, eu filmei isso! - 30a. Mostra Internacional de Cinema
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Fato: só os fãs gostam de vídeos de shows. Apesar de servirem como registro histórico, é bem difícil pescar uma filmagem bacana, que não entedie o telespectador depois da segunda música. Essa é a vantagem de nomes como Madonna, que investem milhões em cenários mutantes, efeitos especiais e iluminações faraônicas. No vídeo, o que vale é a imagem; a canção é mero acessório.
É esse o espírito de Nossa, eu filmei isso! (Awesome; I fuckin shot that!, 2006), protagonizado pelos Beastie Boys. Apesar do título carola, em comparação com o desbocado original, o filme já vem histórico antes mesmo de ser projetado.
A idéia era ousada. A banda distribuiu 50 câmeras digitais para pessoas comuns da platéia, com uma única orientação: "assim que começar o show, apertem o botão vermelho e nunca parem de filmar". Os selecionados, é claro, levaram as instruções ao pé da letra. Daí nascem os registros periféricos de uma mega-apresentação no Madison Square Garden, em Nova York, com as imagens de quem realmente esteve lá.
No palco, os Beastie Boys mostram porque ainda são, depois de mais de vinte anos, um dos nomes mais relevantes do legítimo hip hop estadunidense. Inflamados por estarem tocando na sua cidade natal, os três levam ao máximo a sua verborragia branca e irônica. Com a ajuda do DJ Mix Master Mike, que faz miséria com seus pobres vinis, enfileiram todos os grandes hits da carreira.
Mas são as mulheres da platéia, a visão sofrida do canto da arquibancada, uma passagem (em detalhes) pelo banheiro, a salsicha da lanchonete, o autógrafo na grade, Adam Sandler cantando todas as músicas como uma boa fãzoca, os elementos que dão brilho a Nossa...
O polimento vem da edição intrincada. As câmeras do público se misturam à filmagem profissional, que garante uma visão mínima do palco. A impressão que dá é que a equipe de montagem foi pirando à medida do trabalho - é como se, a cada cena, eles descobrissem uma nova ferramenta cafona na ilha de edição. No começo tudo vai bem, com uma certa preocupação em uma edição linear. Quando o show esquenta, aparecem os cromaquis, as montagens, as cores invertidas, os efeitos especiais dignos de vídeos de formatura. Prestando atenção na hora que fica piscando no canto da tela, dá até para flagrar alguns takes fora de tempo.
O erro e a tosquice, aqui, viram charme. Em uma época como a de hoje, regada a vídeos de porca resolução espalhados em mil youtubes, nada mais certo.
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