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Crítica

Noite de Ano Novo | Crítica

Mais do mesmo, mas com mais gente do que antes

Marcelo Forlani
08.12.2011
19h53
Atualizada em
21.09.2014
14h32
Atualizada em 21.09.2014 às 14h32

Diz a profecia que em 21 de dezembro 2012 o mundo vai acabar. Não costumo acreditar muito nessas coisas, afinal já sobrevivi à Guerra Fria, ao "bug do milênio" e a tantas outras sandices de Nostradamus e outros profetas do apocalipse. Mas depois de ver Noite de Ano Novo(New Year's Eve, 2011), ambientado na passagem de 2011 para 2012, talvez seja melhor mesmo começarmos a aproveitar cada dia como se fosse o último. Não que o novo longa dirigido por Gary Marshall trate de um futuro apocalíptico... ele apenas representa um tipo de cinema que é o fim do mundo.

Noite de Ano Novo

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Se você ainda não ligou o nome à pessoa e, principalmente, à sua obra, Marshall é o mesmo que dirigiu ano passado Idas e Vindas do Amor (Valentine's Day, 2010). Mais uma vez sob o roteiro de Katherine Fugate, ele monta uma estrelada colcha de retalhos com viés de comédia romântica. Estão presentes desta vez Halle Berry, Jessica Biel, Abigail Breslin, Chris "Ludacris" Bridges, Robert De Niro, Josh Duhamel, Zac Efron, Hector Elizondo, Katherine Heigl, Ashton Kutcher, Seth Meyers, Lea Michele, Sarah Jessica Parker, Michelle Pfeiffer, Til Schweiger, Hilary Swank, Sofía Vergara e até Jon Bon Jovi.

Se o fillme sobre o Dia dos Namorados mostrava casais se desentendendo para depois uni-los de vez, aqui o drama vai além da reconciliação romântica. Noite de Ano Novo é sobre pensar na vida, refletir e agir para ser uma pessoa melhor no ano que está começando. É sobre perdoar, dar uma segunda chance e recomeçar. É tudo isso várias vezes. De novo e de novo.

Os núcleos são formados por um casal de jovens artistas (Ashton Kutcher e Lea Michelle) que ficam presos no elevador, uma filha (Abigail Breslin) que quer passar o ano em Times Square e a mãe (Sarah Jessica Parker) não deixa, dois casais disputando qual bebê será o primeiro do ano, o estresse trabalhista da responsável (Hilary Swank) pela festa da Times Square que tem uma bola caindo à meia-noite, um doente em estágio terminal de câncer (De Niro) que quer ver a bola cair pela última vez, um roqueiro (Bon Jovi) que quer reatar com sua ex-noiva (Katherine Heigl) e, talvez o único minimamente interessante, uma dedicada funcionária da decadente indústria fonográfica (Michelle Pfeiffer) que pede as contas no dia 31 de dezembro e contrata um courrier (Zac Efron) para ajudá-la a cumprir toda a sua lista de resoluções antes da meia-noite.

Apesar de se cruzarem de forma mais harmoniosa e menos forçada que no filme anterior, e de possuir desfechos que podem até surpreender alguém, é duro ter que aguentar uma Sarah Jessica Parker ou uma Hilary Swank falando e ouvindo repetidamente que precisa ir encontrar alguém e fazer as pazes consigo mesma para definir seu destino e ser feliz. Todo mundo sabe que o final vai ser como nas novelas da Globo, com festa e champagne, mas dava para contar cada história ali em 5 minutos cada e ainda sobrava tempo para dar um passeio pelo Harlen ou algum outro bairro de Nova York. Aliás, onde estão as histórias do Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island? Não é possível que dá para resumir Nova York aos bairros ricos de Manhatan. Ou é?

Outra questão que fica no ar é: continuando assim, o que vem depois de depois dos filmes sobre Dia dos Namorados e Ano Novo? E nem pense em dizer Dia das Bruxas porque estes dois últimos já deixaram muitos espectadores com medo de ir ao cinema. E com razão!

Nota do Crítico
Regular