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Crítica

Need For Speed - O Filme | Crítica

Um pouco mais que perseguições e corridas

Thiago Romariz
12.03.2014
18h30
Atualizada em
29.06.2018
02h43
Atualizada em 29.06.2018 às 02h43

Need For Speed, o jogo, não tem história alguma. A série publicada pela Eletronic Arts é um sincero game de corrida feito para fãs de velocidade. Para levar a marca ao cinema, a Disney escolheu adicionar drama e coleguismo às disputas, além de chamar Aaron Paul, o Jesse Pinkman de Breaking Bad. Se não torna o longa uma obra-prima, a opção do estúdio ao menos faz de Need For Speed um filme de carros diferente para os tempos atuais.

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A trama não chega a ser profunda ou um estudo de personagem, mas há muito da paixão por automóveis vista em filmes da década de 1960/70 como Bullit, com Steve McQueen. A equipe da oficina comandada por Tobey Marshall (Paul) cultua astros de corrida antigas e é devota, principalmente, aos muscle cars - um deles, aliás, é tão protagonista quanto Paul. Tal apreço é também demonstrado pelo diretor Scott Waugh, que filma as perseguições de maneira crua e com ar quase amador.

Essa abordagem torna o filme mais pessoal, mais documental que as divertidas mas mirabolantes sequências de Velozes e Furiosos, por exemplo. Em uma cena crucial de capotamento, Waugh coloca a câmera dentro do cockpit e deixa o impacto do acontecimento tão aflitivo quanto cenográfico. Os ângulos escolhidos dão mais preferência a beleza das máquinas e aos cenários em vez das manobras e consequentes explosões. Toda a sequência de Utah, feita entre cânions e desertos, mostra bem essa diferença - Need for Speed ostenta seus carros e paisagens, não os pilotos e habilidades ao volante.

A parte humana, quando focada, demonstra o pior do filme. Não há como negar que há entrosamento no elenco, mas os diálogos não são o melhor exemplo de escrita de Hollywood, para dizer o mínimo. E por mais que tente, Aaron Paul não consegue deixar de repetir os trejeitos de Jesse Pinkman a cada cena. Irão ainda alguns projetos até ele perder o personagem. Não por acaso tudo é melhor sem falas, apenas com os bonitos enquadramentos escolhidos.

Não será dessa vez que os fãs de games verão uma franquia produzir um grande filme. Por outro lado, Need for Speed mostra uma nova maneira de enxergar esse tipo de adaptação, misturando referências cinematográficas ao legado da série. A tentativa é válida.

Nota do Crítico
Bom