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Crítica

Namorados para Sempre | Crítica

Aceitação do fim se confunde com fatalismo no drama indie com Ryan Gosling e Michelle Williams

Marcelo Hessel
09.06.2011
20h00
Atualizada em
21.09.2014
14h22
Atualizada em 21.09.2014 às 14h22

A melancolia do título original de Namorados para Sempre, Blue Valentine, algo como "dia dos namorados deprê", não se perde na tradução. Frases de tronco de árvore como "namorados para sempre" representam aquela esperança inocente de um começo de paixão e, ao mesmo tempo, um voto de fidelidade que pode se transformar em obrigação penosa, uma promessa impossível de cumprir.

Seguimos dois momentos da vida de Cindy (Michelle Williams) e Dean (Ryan Gosling), quando se conhecem por acaso e apaixonam-se e quando, depois de cinco anos de casamento, a relação se esgota. O filme escrito e dirigido por Derek Cianfrance - seu segundo longa - não segue a ordem cronológica, os dois momentos vão e vêm no tempo, e esse vaivém se intensifica aos poucos.

namorados para sempre

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Como Michelle Williams é uma das grandes atrizes de sua geração, atuação reconhecida com uma indicação ao Oscar, não é difícil perceber no seu rosto, depois dos tais cinco anos, o peso do esgotamento. Mas mesmo na cena do passado em que o encantador Dean convence Cindy a sair com ele - estão ambos ajudando velhos em um asilo; é um raro filme americano com idosos de verdade - já dá pra antever a efemeridade das coisas. Tudo em Namorados para Sempre toca a morte, desde a cadeira de rodas até o "quarto do futuro".

A ideia do filme é ensinar a lidar com o fim, mas uma questão se impõe à medida em que os saltos no tempo aumentam: a melancolia de Cianfrance, tão precisa em close-ups no início do filme para radiografar estados de espírito, aos poucos se transforma em fatalismo. Fica estabelecida uma situação sufocante, em que o carisma de Ryan Gosling (temos aqui mais um filme que prova que Gosling é mais uma presença carismática do que necessariamente um ator diferenciado) e os gracejos de Dean viram sinais de patologia.

E aí, ironicamente, tudo se inverte. De filme sobre a aceitação do fim, Namorados para Sempre se torna um filme que alimenta o medo do contato, da entrega. Não é fácil identificar quando acontece essa mudança. Há uma certeza, porém: você não vai achar programa mais depressivo para este Dia dos Namorados.

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Namorados para Sempre | Trailer

Nota do Crítico
Bom