Harry Styles, Emma Corrin e David Dawson em My Policeman

Créditos da imagem: My Policeman/Amazon Studios/Reprodução

Filmes

Crítica

Sem surpresas ou novo olhar, My Policeman não vai além do eficiente

Entre a repressão e o segredo, filme narra amores que não puderam ser

Omelete
3 min de leitura
03.11.2022, às 09H05

A vida a dois do policial Tom (Linus Roache) com a professora Marion (Gina McKee) soa como um casamento longevo e bem-sucedido quando o diretor Michael Grandage os introduz ao som da alegre "Memories Are Made of This" em My Policeman. No entanto, a nostalgia sobre a qual Dean Martin canta é bem mais dolorida do que sugere a manhã ensolarada naquela cidadezinha na costa da Inglaterra. A aparente cumplicidade silenciosa por trás de atividades cotidianas, como passear pela orla com o cachorro e garantir que o retrato do casal esteja visível da cama, no fundo esconde os mecanismos de defesa que eles usaram por décadas para lidar com os fantasmas do passado. Isso porque, na fuga e no comportamento passivo-agressivo, os dois ficaram juntos, ignorando um fato inegável: Tom é gay. E é justamente naquela manhã, quando um antigo amigo do casal, Patrick (Rupert Everett), se muda com eles, que começa o fim da mentira e, com sorte, o início do perdão.

A chegada do curador de museu — que, com a saúde debilitada, demanda cuidados constantes — traz um clima nebuloso, melancólico e solitário para aquele lar. Afinal, convivendo sob o mesmo teto, não há escapatória e os três são obrigados a lidar, ainda que internamente, com os eventos que os levaram a essa distância cautelosa e atípica. Através de memórias intrusivas e leituras de diários, My Policeman intercala a tensão do reencontro com o surgimento da fagulha que um dia os uniu, e revela aos poucos as histórias de amor que, entre a repressão e o segredo, não puderam ser plenas.

Desde a premissa, fica explícito que esta é uma jornada triste, repleta de privações e sofrimentos, como já se tornou padrão no retrato de romances LGBTQIA+ de época. Entretanto, mais decepcionante do que ver algumas destas repetições em tela, é perceber como Grandage não se esforça para criar um melodrama que vá além do eficiente. Sem nada de muito original no roteiro, sua direção estaciona My Policeman no mediano e, no melhor, é constante ao tirar de todos os atores, sem exceção, performances mornas. Para não dizer que não há nada que salte aos olhos, é surpreendente que David Dawson, que interpreta Patrick na juventude, traga mais charme e carisma à mesa do que Harry Styles, o jovem Tom.

É importante dizer, porém, que este não necessariamente é um indicativo da falta de traquejo de Styles como leading man, embora exista alguma verdade nisso. O que fica claro, conforme My Policeman avança, é a relevância do pronome possessivo no título. Tom é bem menos protagonista do que poderia se esperar, em partes porque ele mesmo prefere negar ou terceirizar a responsabilidade pelas suas escolhas e desejos. Contudo, no final, o que está no cerne da história é a disputa entre Patrick e Marion, duas pessoas que em outras circunstâncias seriam melhores amigas. Nesse sentido, Tom é um totem de desejo: enquanto para o curador ele é a história de amor da qual é privado por lei — nos anos 1950, quando se concentram os flashbacks, ser gay era crime —, para a professora ele é a história de amor que lhe foi prometida. Por isso, tão trágico quanto o incidente que os separa e a proibição de um amor romântico, é observar como um companheirismo genuíno abre espaço para um antagonismo por vezes só preconceituoso, capaz de interromper também um amor fraternal.

My Policeman eventualmente oferece redenção e a chance de recomeçar aos seus personagens em outra manhã ensolarada, dessa vez cheia de promessas. Infelizmente, assim como na trama, o filme fracassa em não fazer das sugestões algo concreto. Assim, ao final, sobra tanto a expectativa de um desfecho feliz, quanto o desejo de uma experiência mais impactante.

Nota do Crítico
Regular
My Policeman
My Policeman
My Policeman
My Policeman

Ano: 2022

País: Reino Unido, Estados Unidos

Duração: 113 min

Direção: Michael Grandage

Roteiro: Ron Nyswaner

Elenco: Gina McKee, Rupert Everett, Harry Styles, David Dawson, Emma Corrin, Linus Roache

Onde assistir:
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