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Crítica

Moonrise Kingdom | Crítica

Sétimo filme de Wes Anderson retoma o pathos juvenil

Érico Borgo
28.09.2012
00h00
Atualizada em
29.06.2018
02h42
Atualizada em 29.06.2018 às 02h42

Fortes sentimentos contidos, inadequação e melancólica doçura, registrados com uma composição cheia de simetrias, texturas e movimentos de câmera calculadíssimos. Esse é o trabalho de Wes Anderson, cineasta que divide opiniões - mas que tem em sua cinematografia uma incontestável coerência.

Moonrise Kingdom

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Outro traço característico de Anderson, o microcosmo (a casa, o barco, a fazenda...), em Moonrise Kingdom (2012), seu sétimo longa-metragem, surge na forma de uma ilha na costa da Nova Inglaterra, New Penzance. A trama se passa em 1965, nos últimos suspiros da inocência estadunidense, quando o país preparava-se para a Guerra do Vietnã.

É na pequena ilha que Suzy Bishop (Kara Hayward) vive ao lado de seus pais (Bill Murray e Frances McDormand). Ambos se tratam por "doutor" e "doutora" e dormem em casas separadas, enquanto ela vive um caso com o único policial local (Bruce Willis). Enquanto isso, no Acampamento Ivanhoé, sob os cuidados do Escoteiro-Chefe (Edward Norton), está Sam Shakusky (Jared Gilman). Suzy e Sam têm 12 anos e se amam desde que começaram a trocar cartas, há um ano, quando se conheceram em uma peça de colégio. Os dois pretendem fugir juntos - e chegou a hora de colocarem seu plano em ação.

Anderson, que coescreveu o roteiro com Roman Coppola (seu colaborador em O Fantástico Sr. Raposo), faz um excelente trabalho - apoiado, como sempre, pela qualidade do elenco que reúne -, na retratação do amor das duas crianças. O menino, provedor e dono orgulhoso de um broto de bigode, usa as habilidades adquiridas entre os escoteiros para dar à menina, amante das artes e vaidosa, condições longe dos pais, em um paraíso só seu. Através de ambos, somos lembrados de como os primeiros amores pareciam o ingresso para um reino fantástico.

Hilário pelas situações excêntricas e sem deixar que os maneirismos sufoquem a história, Moonrise Kingdom lembra Três é Demais (Rushmore, 1999), um dos melhores filmes de Anderson, ao desafiar gêneros ao registrar o pathos juvenil com a mistura esquisita e adorável de comédia e drama que só o diretor é capaz.

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Nota do Crítico
Excelente!