Filmes

Crítica

Monster Hunter deixa profundidade de lado em nome da diversão fácil

Filme reuniu Paul W.S. Anderson e Milla Jovovich em uma nova adaptação de videogames

Gabriel Avila
25.02.2021
20h30
Atualizada em
02.03.2021
11h26
Atualizada em 02.03.2021 às 11h26

Monster Hunter é um projeto que nasce com uma grande responsabilidade, já que a tarefa de levar videogames para os cinemas tem se mostrado especialmente difícil para Hollywood. A saída encontrada pela Capcom foi entregar a adaptação da sua famosa franquia nas mãos de Paul W.S. Anderson, diretor de inúmeros capítulos da saga Resident Evil que, mesmo controversa entre os fãs, sempre se mostrou bem-sucedida nas bilheterias. Por sua vez, o cineasta decidiu trazer os monstros em um filme que diverte, mas sacrifica o enorme potencial desse rico universo.

O longa não demora para estabelecer sua problemática. Logo nos primeiros minutos, somos apresentados a um grupo do exército americano liderado pela tenente Artemis (Milla Jovovich), que após uma tempestade sobrenatural, é transportado para um mundo pós-apocalíptico dominado por monstros gigantes. O time então passa a contar com o auxílio de um habitante local (Tony Jaa) para sobreviver e voltar para casa. Ágil, a sequência de abertura deixa claro que Monster Hunter tem a mesma preocupação dos fãs e não enrola para colocar os militares contra o Black Diablos.

Com a função de apresentar o novo mundo e seus perigos, esse primeiro embate se mostra uma ótima carta de apresentação para Monster Hunter. A ameaça colocada pela criatura é estabelecida quase instantaneamente, em uma sequência de ação frenética e bem planejada. A condução se esforça para que o espectador não se sinta perdido enquanto é imerso em uma fuga que destaca o elenco humano ao mesmo tempo em que trata o primeiro “chefão” com reverência, e exibe um certo orgulho do resultado da computação gráfica.

Começa então uma série de pequenos passeios por diferentes gêneros, que incorporam elementos de horror e, especialmente, uma ação que bebe diretamente de grandes clássicos dos brucutus dos anos 1980. Acertada, essa escolha dá a Jovovich e Tony Jaa a oportunidade de brilhar em uma produção conduzida única e exclusivamente pela aventura. O problema é que, se essa simplicidade encanta no início, ela passa a jogar contra ao longo do filme.

Apesar de Monster Hunter indicar uma guinada narrativa ao flertar com outros gêneros, esta nunca se concretiza, criando uma sequência de bons momentos que não se conectam e nunca atingem todo o seu potencial. Assim, o enredo se desenvolve sem muito compromisso, espalhando easter eggs que os fãs dos games certamente vão pescar, mas que seriam melhor utilizados na criação de uma mitologia mais sólida, que poderia servir de base para a franquia iniciada neste longa.

Com isso, o longa vai perdendo a força ao trazer missões que parecem mais burocráticas do que uma nova etapa na jornada de Artemis e Hunter. Com isso, mesmo a aparição de novos personagens e o combate a diferentes monstros perde a força e, mesmo que empolgantes isoladamente, acabam não fortalecendo a história. Talvez o melhor exemplo esteja no final, que parece propositalmente abrir mão de uma conclusão apoteótica.

Ao fim de seus 103 minutos, Monster Hunter confirma que Paul W.S. Anderson retornou ao mundo dos games de forma descompromissada e claramente mais interessado em ação do que qualquer outra coisa. Desperdiçando a chance de ir além do blockbuster padrão, o diretor cria uma experiência que se torna mais memorável pela estética do que pelo conteúdo. Honesta na falta de pretensão, a produção deixa ao espectador a tarefa de decidir se isso é o suficiente para a produção que leva uma das franquias mais amadas dos games para as telonas.

Monster Hunter
Monster Hunter
Monster Hunter
Monster Hunter

Ano: 2020

País: Estados Unidos

Classificação: 14 anos

Duração: 103 min

Direção: Paul W.S. Anderson

Roteiro: Paul W.S. Anderson

Elenco: Nanda Costa, Tony Jaa, T.I., Milla Jovovich

Nota do Crítico
Regular

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