Filmes

Crítica

A Grande Jogada

Estreia de Aaron Sorkin na direção mostra uma divertida jornada sobre sucesso e fracasso

Natália Bridi
10.09.2017
16h25
Atualizada em
29.10.2018
00h01
Atualizada em 29.10.2018 às 00h01

Roteirista renomado e verborrágico, Aaron Sorkin encontrou na história de Molly Bloom a oportunidade perfeita para, pela primeira vez, traduzir as suas próprias palavras às telas. Jessica Chastain é a sua porta-voz grandiloquente para contar em A Grande Jogada (Molly's Game)como uma ex-promessa dos esportes de inverno acabou se tornando a princesa do pôquer das celebridades e terminou com um processo envolvendo a máfia russa nas costas.

A narração de Molly, geralmente uma muleta àqueles mais versados em contar histórias por palavras do que por imagens, é usada com sabedoria. A firmeza delicada da voz de Chastain garante que toda ousadia da personagem não seja uma fabricação, mas uma consequência. A atriz faz de Molly alguém que merece ser conhecida, alguém que merece atenção.

Ao determinar o comando da narrativa, Sorkin também se livra dos problemas ligados à menção de nomes do seleto grupo que frequentava as noites de pôquer em Los Angeles (que na vida real contava com nomes como Ben Affleck, Leonardo DiCaprio e Tobey Maguire). Pela voz de Molly, o astro da lista A torna-se o Senhor X sem comprometer os fatos - a escolha irônica de Michael Cera para o papel do grande nome de Hollywood na mesa torna essa dinâmica ainda mais divertida. A narração também facilita os pormenores do pôquer, colocando na tela as combinações e a própria Molly explicando como aprendeu sobre o jogo procurando no Google.

Os diálogos longos e cheios de referências de Sorkin se mantém presentes, garantindo boas cenas entre Chastain e Idris Elba, o advogado que aceita defendê-la apesar da sua falta de meios financeiros. O diretor estreante também conserva seu gosto por cenas rápidas e montagem dinâmica, garantindo que, apesar de denso, seu filme não se torne cansativo.

Molly’s Game é uma divertida jornada sobre sucesso e fracasso, sobre como é possível ter tudo e no instante seguinte ficar sem nada. Muito como o jogo que fez a fortuna e a desgraça de Molly Bloom, Sorkin constrói um filme sobre as possibilidades e combinações que determinam histórias de vida. Isso tudo sem precisar blefar.

Nota do Crítico
Ótimo