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Crítica

Molly's Game | Crítica

Estreia de Aaron Sorkin na direção mostra uma divertida jornada sobre sucesso e fracasso

Natália Bridi
10.09.2017
16h25
Atualizada em
10.09.2017
17h00
Atualizada em 10.09.2017 às 17h00

Roteirista renomado e verborrágico, Aaron Sorkin encontrou na história de Molly Bloom a oportunidade perfeita para, pela primeira vez, traduzir as suas próprias palavras às telas. Jessica Chastain é a sua porta-voz grandiloquente para contar em Molly's Game como uma ex-promessa dos esportes de inverno acabou se tornando a princesa do pôquer das celebridades e terminou com um processo envolvendo a máfia russa nas costas.

A narração de Molly, geralmente uma muleta àqueles mais versados em contar histórias por palavras do que por imagens, é usada com sabedoria. A firmeza delicada da voz de Chastain garante que toda ousadia da personagem não seja uma fabricação, mas uma consequência. A atriz faz de Molly alguém que merece ser conhecida, alguém que merece atenção.

Ao determinar o comando da narrativa, Sorkin também se livra dos problemas ligados à menção de nomes do seleto grupo que frequentava as noites de pôquer em Los Angeles (que na vida real contava com nomes como Ben Affleck, Leonardo DiCaprio e Tobey Maguire). Pela voz de Molly, o astro da lista A torna-se o Senhor X sem comprometer os fatos - a escolha irônica de Michael Cera para o papel do grande nome de Hollywood na mesa torna essa dinâmica ainda mais divertida. A narração também facilita os pormenores do pôquer, colocando na tela as combinações e a própria Molly explicando como aprendeu sobre o jogo procurando no Google.

Os diálogos longos e cheios de referências de Sorkin se mantém presentes, garantindo boas cenas entre Chastain e Idris Elba, o advogado que aceita defendê-la apesar da sua falta de meios financeiros. O diretor estreante também conserva seu gosto por cenas rápidas e montagem dinâmica, garantindo que, apesar de denso, seu filme não se torne cansativo.

Molly’s Game é uma divertida jornada sobre sucesso e fracasso, sobre como é possível ter tudo e no instante seguinte ficar sem nada. Muito como o jogo que fez a fortuna e a desgraça de Molly Bloom, Sorkin constrói um filme sobre as possibilidades e combinações que determinam histórias de vida. Isso tudo sem precisar blefar.

A Grande Jogada
Molly's Game

Ano: 2017

Classificação: -1 anos

Direção: Aaron Sorkin

Roteiro: Aaron Sorkin

Elenco: Jessica Chastain, Idris Elba, Michael Cera, Kevin Costner, Brian d'Arcy James, Bill Camp, Chris O'Dowd, Jeremy Strong, Graham Greene, J.C. MacKenzie, Samantha Isler, Joe Keery, Rachel Skarsten, Natalie Krill, Madison McKinley, Claire Rankin, Angela Gots, Michael Kostroff, Elisa Moolecherry, Ari Cohen, Chris Owens, Robert B. Kennedy, Mary Ashton, Morgan David Jones, Joseph Brooks, Mariah Owen, Duane Murray, Bo Martyn, Todd Thomas Dark, David Lafontaine, Bruno Verdoni, Frank Falcone, Khalid Klein, Matthew D. Matteo, Timothy Mooney, Piper Howell, Linette Doherty, Stephanie Purpuri, Whitney Peak, Melanie Hubert, Vladimir Tsyglian, Ross Carter, Victor Serfaty, Chris Boyle, Josh Smitheram, Idris Elba, Kevin Costner, Brian d'Arcy James, Graham Greene, Samantha Isler

Nota do Crítico
Ótimo