Foto de Mogli: Entre Dois Mundos

Créditos da imagem: Mogli: Entre Dois Mundos/Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

Mogli - Entre Dois Mundos

Filme de Andy Serkis sofre com efeitos visuais estranhos e falta de ritmo

Camila Sousa
13.12.2018
19h46
Atualizada em
13.12.2018
19h57
Atualizada em 13.12.2018 às 19h57

A tecnologia se tornou natural no cinema nos últimos anos, mas seu uso pode ser tanto positivo quanto negativo. A carreira de Andy Serkis é um exemplo disso. No lado positivo, ele ganhou projeção com a captura de performance em O Senhor dos Anéis e Planeta dos Macacos. No lado negativo há Mogli: Entre Dois Mundos: os efeitos visuais, que seriam destaque no projeto de um ator/diretor que já trabalhou tanto com esse recurso, são o ponto baixo do filme produzido pela Warner Bros. e lançado recentemente na Netflix.

Não há novidades sobre a história aqui: Mogli é criado na floresta junto com os lobos, mas quando cresce percebe que o lugar não é mais seguro por causa do tigre Shere Khan, que quer matá-lo assim como fez com seus pais. Com vozes de atores famosos como Christian Bale, Cate Blanchett e Benedict Cumberbatch, os animais têm traços estranhos, principalmente quando movimentam o rosto para falar. A impressão é que colocaram expressões humanizadas nos bichos e o resultado é tão esquisito que fica impossível se relacionar ou criar empatia com eles. Ao invés de entrar de cabeça na história, o público é constantemente lembrado do uso negativo da tecnologia - não há imersão.

Claro que há uma óbvia comparação Mogli: O Menino Lobo, lançado em 2016 pela Disney, mas mesmo se esse filme não existisse, o Mogli de 2018 não teria tanto destaque nos cinemas. Isso acontece porque a tentativa de Serkis em fazer uma história mais “madura” de Mogli não funciona. Há sim momentos pesados na história, mas o próprio diretor anula seu argumento ao colocar personagens caricatos (como a hiena capanga de Shere Khan) e uma trilha sonora acelerada que destoa do desejado clima soturno. Essa mudança brusca de tom em certos momentos causa confusão, já que o público não sabe se deve rir ou sentir medo.

Mogli: Entre Dois Mundos tem ainda um problema de ritmo. O filme não é longo (1h44), mas passa a sensação de durar muito mais. Antes de realmente entender o porquê de Shere Khan ser um perigo para sua existência, Mogli tem várias idas e vindas na trama que nem impulsionam a história, nem mostram seu amadurecimento. Se a ideia era aumentar as cenas no início para enfatizar os efeitos visuais, o tiro saiu pela culatra pelos motivos já citados. A única parte realmente interessante é quando o personagem-título tem contato com outros humanos e é mostrado como a cultura é importante na formação de uma sociedade - conceito que chega atrasado e não resolve os problemas já citados.

Andy Serkis tem um lugar cativo no coração de todos os cinéfilos pela sua contribuição para a sétima arte. Porém, antes de embarcar em um projeto tão ambicioso, ele poderia ter amadurecido suas habilidades como diretor, testadas apenas na segunda unidade da trilogia O Hobbit e no comando do drama Uma Razão Para Viver (2017). Mogli: Entre Dois Mundos não ficará muito tempo na memória dos fãs, mas com sorte servirá como aprendizado para um artista que certamente ainda tem muito a fazer no cinema, mas errou a mão dessa vez.

Nota do Crítico
Regular