Mistério no Mediterrâneo

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

Mistério no Mediterrâneo

Sátira de Adam Sandler dos romances de Agatha Christie pode não surpreender, mas diverte mais que Assassinato no Expresso do Oriente

Mariana Canhisares
28.06.2019
17h25

Se em Esposa de Mentirinha Adam Sandler e Jennifer Aniston eram amigos que encontram o amor um no outro, na nova comédia da Netflix Mistério no Mediterrâneo os atores encarnam marido e mulher diante de um relacionamento já desgastado. Em meio a um emaranhado de mentiras, um policial e uma cabeleireira tentam resgatar o romance em uma sonhada viagem à Europa, uma promessa antiga de casamento que nunca se concretizou. Mas, o que parecia ser uma lua de mel perfeita para celebrar os mais de 10 anos juntos se revela uma enrascada. Quando menos esperam, os dois se veem não apenas no meio de uma investigação de assassinato, como apontados como os principais suspeitos.

A sátira de Assassinato no Expresso Oriente não é um dos filmes mais inspirados de Sandler - na realidade, ele é exatamente o que se espera de um trama mediana do comediante. Ainda assim, diverte mais que a adaptação de Kenneth Branagh. Rindo da fórmula dos mistérios, entrega a experiência dos muitos suspeitos com um toque de ridículo. Afinal, a produção não tenta ser muito esperta. Na realidade, o que se propõe aqui é rir da experiência de pessoas comuns, que consomem literatura policial, resolvendo um homicídio mirabolante. Nesse cenário, os suspeitos, que parecem saídos do tabuleiro de Detetive de tão caricatos, são piadas por si só. Às vezes frustrantes? Sim, mas ainda assim mais interessante do que querer se levar tanto a sério.

Talvez o ponto mais desconfortável da história seja o relacionamento entre o casal de protagonistas. O policial de Sandler é um homem apenas desagradável, que minimiza as opiniões da esposa sempre que pode. As atitudes, que escondem a grande insegurança do aspirante de detetive, vem em tom cômico, mas não provocam riso de fato - e este nem parece ser o real objetivo dos diálogos. Embora incomode, o discurso machista é um artifício para mostrar algum nível de amadurecimento do personagem. Nada muito além do respeito básico, mas uma evolução. Não à toa, os dois conseguem trabalhar efetivamente como uma dupla, com Aniston assumindo o volante de uma Ferrari na sequência de ação final e Sandler como o sidekick.

Com a química entre os dois atores, Mistério no Mediterrâneo realmente não precisa ser nada além do que é. Basta ser uma aventura divertida e boba para distrair nos dias em que você se sentir ousado o suficiente para entrar na Netflix e não assistir a Friends. E isso ele faz bem.

Nota do Crítico
Bom