Missão: Impossível – Efeito Fallout | Crítica

Créditos da imagem: Paramount Pictures/Divulgação

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Missão: Impossível – Efeito Fallout | Crítica

Christopher McQuarrie faz o maior Missão: Impossível valorizando adrenalina acima de tudo

Julia Sabbaga
25.07.2018
17h47
Atualizada em
26.07.2018
13h40
Atualizada em 26.07.2018 às 13h40

Missão: Impossível nunca foi uma franquia de sutilezas. Até o primeiro filme, de 1996, que focou na investigação acima dos grandes efeitos, explodiu um helicóptero dentro de um túnel. Mas a priorização da grandiosidade acima de tudo nunca foi tão clara quanto em seu último capítulo, Missão: Impossível – Efeito Fallout.

O mais caro e mais longo Missão: Impossível até hoje é também o mais complicado em termos de trama. Desta vez, Ethan Hunt busca evitar uma ameaça nuclear ao mesmo tempo em que tenta impedir a fuga do líder terrorista Solomon Lane – o vilão do filme anterior – da prisão. Tudo isso acontece com tantas reviravoltas e personagens que o espectador, por vezes, pode precisar de uns minutos para entender o que realmente está acontecendo.

O sexto capítulo é o primeiro filme que traz retornos em Missão: Impossível; pela primeira vez, um diretor tem a chance de dirigir mais de um filme da franquia, e com Christopher McQuarrie, voltam também, o vilão, de Sean Harris, e a personagem feminina, de Rebecca Ferguson. Talvez por isso, ele pareça ser um filme feito mais para os fãs da franquia do que para os espectadores de primeira viagem. Até porque ele entrega diversas referências aos seus capítulos anteriores, com direito a um aceno à vilã do primeiro longa.

Há dois fatores de Efeito Fallout que merecem um destaque. O primeiro lugar é óbvio; Tom Cruise, aos 56 anos, brilha como nunca em tela e desafia o próprio Ethan Hunt em acrobacias realmente absurdas, principalmente quando se é conhecido o fato de que o ator não usa dublês. O segundo é McQuarrie. É uma pena ver a franquia que sempre deu chance a visões diferentes não inovar neste sentido, mas se é para abrir mão disso, o filme foi entregue em mãos competentes. Em apenas seu quarto filme como diretor, McQuarrie acompanha a jornada de Hunt com sequências emocionantes e um timing chamativo: a já-famosa cena do banheiro é um grande exemplo. Mas McQuarrie tem ao seu lado, também, dois nomes essenciais: Rob Hardy como diretor de fotografia, e o compositor Lorne Balfe na trilha, remetendo quase diretamente a Hans Zimmer. Tudo isso em conjunto faz com que Efeito Fallout resulte, claramente, no mais grandioso Missão: Impossível.

Efeito: Fallout, no entanto, não é sem defeitos. O fato de focar mais em Hunt e acrescentar Henry Cavill faz com que a trupe famíliar – de Luther, Benji, Isla – e o vilão, acabem perdendo espaço, e o alívio cômico, que sempre fez parte da série de filmes, fique para trás. Além disso, ao acompanhar a jornada do sempre-ético Ethan Hunt até as últimas consequências, o personagem é colocado em situações absurdas que acabam pesando no ridículo – quando, por exemplo, ele é forçado a matar quatro bandidos para salvar uma policial, e ainda tem tempo para ajudar a vítima e a consolar, claro, em francês.

A maior qualidade de Efeito Fallout é sua capacidade de se desafiar e atingir expectativas. Todos estes elementos – o elenco, a trilha sonora, as acrobacias e principalmente a trama – estabelecem a promessa de um grande fim, e o novo Missão: Impossível entrega melhor do que qualquer um: a sequência de perseguição em helicópteros ao final é de tirar o fôlego. E a adrenalina e o carisma de sua conclusão satisfazem não apenas por carregar a franquia adiante, como em deixar espaço o suficiente para que você torça por mais um capítulo.

Nota do Crítico
Ótimo