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Crítica

Missão: Impossível 4 - Protocolo Fantasma | Crítica

Brad Bird traz pitadas de humor e constrói o mais divertido filme da série

Marcelo Forlani
17.10.2014
14h51
Atualizada em
29.06.2018
02h42
Atualizada em 29.06.2018 às 02h42

Ainda não fizeram um filme da franquia Missão: Impossível que deixe o espectador sair da sala desapontado. Pode ser que depois, olhando para trás, você veja que algum filme (*cof* M:I-II *cof*) não era tão legal assim, mas na série o importante é cumprir a missão daquele instante e sair de cabeça erguida. E Brad Bird, diretor que vem de um premiado passado fazendo animações (Gigante de Ferro, Os Incríveis, Ratatouille), cumpre muito bem a sua. Ele traz para a franquia estrelada e produzida por Tom Cruise pitadas de humor intencional que não estavam presentes antes. E o faz sem exagerar, apenas dando espaço para o público poder baixar a guarda por alguns milissegundos, enquanto prepara a próxima sequência de ação, que será ainda mais impressionante que a anterior.

Missão: Impossível 4

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A complexidade toda da história e de cada ação do grupo liderado por Ethan Hunt (Cruise) e formado por Benji (Simon Pegg reprisando o papel de M:I-III) e os novatos Jane (Pauta Patton) e Brandt (Jeremy Renner) é explicada em detalhes na tela, não deixando muitas dúvidas de que eles sabem o que estão fazendo e que, quando o plano dá errado, também estão preparados para se virar, improvisando com o que têm nas mãos. Assim, eles se cercam também da certeza de que qualquer um que esteja entrando agora na sala de cinema vai entender o filme e também a franquia, mesmo se não tiver visto os capítulos anteriores.

Uma das diferenças de M:I-IV para os anteriores é a de que desta vez o grupo não é escolhido por Hunt. Depois de ser resgatado de uma prisão russa, ele já engata uma missão: roubar códigos secretos de dentro do Kremlin e, assim, impedir que um terrorista coloque suas mãos no arsenal nuclear da antiga União Soviética. O plano, porém, sai errado, e a agência secreta em que trabalham, a IMF (Impossible Missions Force), é apontada como a culpada por uma enorme explosão em Moscou. O governo dos Estados Unidos não vê outra alternativa que não seja a desativação imediata da operação, colocando seus agentes na lista de procurados. Agora cabe a Hunt e aqueles que sobraram ao seu lado procurar quem armou para cima deles e ainda impedir uma catástrofe que pode terminar na guerra nuclear de que escapamos durante a Guerra Fria.

Antes de Moscou, o filme já passou por Budapeste e vai ainda para Dubai antes de ter o seu clímax em Bombaim e desfecho nos Estados Unidos. Este espírito global tão latente não chega a ser novidade na franquia, mas é exacerbado aqui e só faz bem ao filme. Cada uma das cidades tem sua grande sequência, sendo que a mais alardeada delas, no alto dos 828 metros do Burj Khalifa, é de causar vertigem a trapezista. Melhor ainda se for vista nas telas gigantes do IMAX - e aqui vale o comentário: se você puder ver o filme em IMAX, veja! Seguindo os passos de Christopher Nolan, Bird filmou várias sequências usando as câmeras de 70mm do sistema, que dão uma clareza de qualidade espantosa e criam uma imersão muito maior do que o 3-D.

Dito isso, sim, o longa é repleto de momentos "ah vá!", mas este é o seu beabá. É isso que o tornou tão empolgante, assim como as gadgets e as mensagens que se destróem depois de 5 segundos. Algumas delas, já meio enferrujadas, diga-se de passagem. De luvas que grudam em vidro a projetores 3D portáteis e lentes de contato scanner, tudo é usado para divertir o público, ora com vislumbres do futuro, ora como mera piada.

Entre perseguições em tempestades de areia, carros despedaçados e traições, Bird e os roteiristas André Nemec e Josh Appelbaum não se apressam em formar pares românticos dentro da equipe, escapando de um dos maiores clichês do gênero. Se você se lembra do terceiro filme, Cruise estava apaixonado por Julia (Michelle Monaghan) e não escondia isso de ninguém. Agora, as consequências desse amor chegam novamente para lhe cobrar os juros. Seria muito mais fácil colocá-lo junto com a bela Jane, mas não é assim que se constrói personagens e Bird sabe como ninguém apresentar arcos dramáticos e desenvolvê-los, deixando até ratos e Tom Cruises mais humanos...

Nota do Crítico
Ótimo