Florence Pugh em Midsommar

Créditos da imagem: Midsommar/Divulgação

Filmes

Crítica

Midsommar - O Mal Não Espera a Noite

Novo filme do diretor de Hereditário é intenso e ambicioso, mas também desconjuntado e inconsistente em seu ritmo

Arthur Eloi
13.09.2019
12h00
Atualizada em
13.09.2019
12h58
Atualizada em 13.09.2019 às 12h58

Tendo feito sua estreia nos longa-metragem com algo tão impactante quanto Hereditário, Ari Aster rapidamente se tornou um dos nomes mais promissores do terror moderno. O filme de 2018 foi altamente aclamado por sua abordagem lenta à destruição sobrenatural de uma família tomada pelo luto. Agora, após um ano, o cineasta retorna para evoluir sua técnica e atender altas expectativas em Midsommar - O Mal Não Espera a Noite.

Na trama, Dani (Florence Pugh) se vê sozinha após um terrível incidente tirar a vida de toda sua família. Ela busca apoio em seu namorado Christian (Jack Reynor), mas os dois passam por um momento complicado do relacionamento. Quando Pelle (Vilhelm Blomgren), amigo sueco de Christian, convida o casal e mais dois amigos para uma tradicional celebração de verão na aldeia em que cresceu, a jovem vê a viagem como oportunidade para espairecer e processar seu luto. Assim que são recebidos pelos peculiares habitantes, o grupo passa a suspeitar que está em perigo.

Midsommar trabalha com muita coisa ao mesmo tempo, e nem tudo funciona tão bem. O que se sai melhor é a exploração do relacionamento do casal principal. Tanto Pugh quanto Reynor se superam, atingindo tanto a sutileza do desconforto mútuo entre pessoas que já não se gostam mais, mas também a intensidade dos momentos de loucura. Inspirado por um término ruim do diretor, o casal é como o coração da narrativa ao mostrar uma relação em declínio em meio ao caos.

O ambiente colabora bastante com o processo. Aster dedica grande carinho à construção da atmosfera de terror pastoral (ou folk horror). O comportamento distante dos cultistas é desconfortável, trabalhando um sutil medo psicológico que é validado por momentos impactantes de violência gráfica. É como uma infusão entre O Homem de Palha (1973) e O Massacre da Serra-Elétrica (1974), mas o apego pelo primeiro ofusca a influência do segundo. O fascínio do cineasta por essa sociedade alternativa é uma via de mão-dupla, que define a identidade da obra, mas também cria inúmeros “momentos mortos” em que a trama pára e aprecia o cotidiano inusitado, efetivamente interrompendo a construção da tensão dos acontecimentos chocantes.

Isso fica mais claro nos personagens de Josh (William Jackson Harper), que pesquisa a aldeia para sua graduação mesmo contra o desejo dos habitantes; e Mark (Will Poulter), cujo papel é representar turistas sem respeito por outras culturas. Enquanto é comum do slasher estabelecer vítimas em potencial, aqui o espaço de tela que os secundários têm ajuda a tornar o ritmo inconsistente e dão o tom desconjuntado a obra, tentando transitar livremente entre vertentes do horror sem se importar com elementos conflituosos.

Midsommar é um filme bastante corajoso ao tentar superar a própria ambição, e que deixa uma forte impressão no público, apesar de tudo. Mesmo que a narrativa vá e volte, um ato de brutalidade no começo planta uma sensação de desconforto que só cresce a cada minuto, e amarra tudo isso abraçando a histeria pura, com uma conclusão barulhenta, cômica e bastante esquisita. Chocar e deixar o público confuso entre riso e repulsa parece ser o objetivo e só um filme confuso em sua essência para entregar isso de bandeja. O gosto pode ser estranho mas também, de certa forma, é único.

Nota do Crítico
Bom