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Crítica

Mesmo Se Nada Der Certo | Crítica

John Carney em mais uma jornada de autodescoberta musical

Natália Bridi
18.09.2014
11h53
Atualizada em
29.06.2018
02h43
Atualizada em 29.06.2018 às 02h43

Ex-baixista do The Frames, influente grupo da cena irlandesa, John Carney deixou a música pelo cinema, mas a música nunca o deixou. Em 2006, se juntou ao antigo colega de banda Glen Hansard para criar Apenas Uma Vez e deixou a sua marca entre os musicais modernos.

Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again) segue a mesma lógica do filme premiado com o Oscar de Melhor Canção em 2008 - duas pessoas perdidas que se encontram pela música -, mas o faz de forma diluída, trocando a austeridade europeia pela maleabilidade americana. Keira Knightley vive Gretta, uma jovem compositora sem confiança no próprio talento que se vê sozinha em Nova York depois de perder o namorado (Adam Levine) para a fama. Mark Ruffalo é um produtor musical desprestigiado por suas escolhas profissionais e pessoais. Ele a vê tocando sozinha e visualiza o que ela poderia se tornar. Uma epifania ébria que pode salvar os dois.

A cena em que a personagem de Knightley assume o palco e vira objeto de atenção para o produtor toma o primeiro ato do filme. Começa com o ponto de vista dela, insegura, cantando suas desilusões para uma plateia desinteressada. Depois segue a trajetória de Ruffalo até o encontro, em um dia de fracassos sequenciais que culmina em uma resposta do destino. Uma banda invisível acompanha a cantora aos olhos e ouvidos do produtor, em uma das cenas que mostram a música como um personagem, não apenas como condutor narrativo. O mesmo vale para a ideia de gravar na rua o álbum de Gretta, misturando sua voz e os instrumentos aos sons da cidade que a encantara e maltratara.

Essa ligação sincera é o que torna Mesmo Se Nada Der Certo possível: as canções do longa convencem por sua qualidade e seus atores convencem como músicos. As composições de Carney, Hansard e Gregg Alexander (com a colaboração de outros produtores musicais) são definitivas para que a história se conecte ao público. Já Knightley sabe cantar e convence na sua postura de indie pé no chão. Levine, por outro lado, consagrado como músico, não atrapalha com o seu lado ator.

Ainda que leve a momentos catárticos pela música, Mesmo Se Nada Der Certo, assim como Apenas Uma Vez, não é o filme sobre metamorfoses que aparenta ser. O encontro entre seus personagens não transforma, leva à aceitação - eles apenas passam a compreender a própria história. Para Carney, a música leva ao autoconhecimento e esse é o caminho para a evolução.

Mesmo se Nada der Certo
Begin Again
Mesmo se Nada der Certo
Begin Again

Ano: 2014

País: EUA

Classificação: 12 anos

Duração: 104 min

Direção: John Carney

Roteiro: John Carney

Elenco: Mark Ruffalo, Keira Knightley, Adam Levine, Hailee Steinfeld, Catherine Keener, James Corden, Mos Def, Cee Lo Green, Aya Cash, Maddie Corman

Nota do Crítico
Bom

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