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Menina Má.com | Crítica

Menina Má.com

Fábio Yabu
21.09.2006
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h20
Atualizada em 21.09.2014 às 13h20

Menina Má.com
Hard Candy
EUA, 2005
Drama - 103 min

Direção: David Slade
Roteiro: Brian Nelson

Elenco: Patrick Wilson, Ellen Page, Sandra Oh, Jennifer Holmes, Gilbert John

Com mais de um ano de atraso, Menina má.com (Hard Candy, 2005) chega aos cinemas brasileiros. Rodado em apenas 18 dias, o filme foi inspirado em situações verídicas ocorridas no Japão, onde garotas adolescentes preparam emboscadas para homens que procuram encontros com menores de idade pela Internet.

O título em português pode trazer uma expectativa errada em relação ao filme. Não se trata de personagens bons ou malvados; visto que a história fala de uma menina psicótica e um suposto pedófilo. Já o cartaz de divulgação faz uma brincadeira com a Chapeuzinho Vermelho servindo de armadilha para o Lobo Mau. A mocinha em questão é Hayley (Ellen Page), de 14 anos, e o suposto vilão é Jeff (Patrick Wilson), um fotógrafo trintão. Ao se conhecerem numa sala de bate-papo online, eles decidem marcar um encontro numa cafeteria, logo estendido para a casa de Jeff.

Começa então um sádico (e um tanto improvável) plano de Hayley, disposta a descobrir se Jeff é ou não um pedófilo, através de uma longa sessão de torturas que lhe renderiam o prêmio de "melhor vilã juvenil do cinema". Além de articulada - quase uma Gilmore Girl diabólica - Hayley é extremamente criativa em seu plano, o que pode divertir a alguns mas desanimar quem estava esperando algo mais verosssímil. Estranha também é a aparição relâmpago de Sandra Oh (Greys Anatomy), no papel da vizinha de Jeff. Além do dono da cafeteria, ela é única personagem a dividir a tela com os dois protagonistas, mas sua participação é irrelevante, tornando seu nome do cartaz um mero chamariz para os fãs da atriz.

A direção soberba do novato David Slade sobrepõe os buracos do roteiro de Brian Nelson, mas não há como esconder o fato de que o filme não se propõe em momento algum a discutir a polêmica que levantou. Não há espaço para discussão, o que vale aqui é o show de horror promovido por Hayley. E lá pelo meio do filme até o fato de Jeff merecer ou não o castigo deixa de ser importante - que venha a próxima tortura.

Ellen Page aproveita para se consagrar na tela - se em X-Men: O confronto final (2006) ela já havia roubado a cena como a mutante Kitty Pryde, em Menina Má.com ela deixa de ser a protagonista para se tornar o próprio filme, reinando absoluta. Vai ser interessante acompanhar sua carreira nos próximos anos e ver seu potencial desabrochar. Seu próximo trabalho será em An American Crime, novo filme sobre torturas hediondas ocorridas nos EUA em 1965, dessa vez no papel da vítima.

Nota do Crítico
Bom