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Megamente | Crítica

Dreamworks homenageia Superman em história de anti-herói

Marcelo Forlani
02.12.2010
18h20
Atualizada em
05.11.2016
00h09
Atualizada em 05.11.2016 às 00h09

Desde o seu início, Megamente (Megamind, 2010) faz referências ao maior ícone do super-heroísmo. É possível ver traços do Superman no fim do seu mundo natal, na pequena nave que é enviada para a Terra e nos superpoderes como voo, força extraordinária e um megatopete. Porém, estas características não são do personagem título, mas sim de Metro Man, seu arqui-inimigo.

Enquanto Metro Man (voz original de Brad Pitt) foi criado em uma casa enorme, cresceu com os dentes perfeitos e querido por todos, Megamente (voz de Will Ferrell) caiu dentro de um presídio e lá aprendeu que os policiais são maus e que o legal é sair assaltando bancos. Assim, provando que é o ambiente que molda o indivíduo, um se torna o herói de Metro City, enquanto o outro passa seu tempo na prisão imaginando formas de sair dali e acabar com seu nêmesis.

Megamente

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Muitos e muitos planos depois, porém, o impossível acontece e Megamente consegue atingir seu objetivo. Ele derrota o herói de Metro City no feriado de Metro Man, no dia da inauguração do seu museu. Mas quando ele atinge o seu objetivo final, o que resta? Por um tempo ele consegue detonar a cidade, azucrinar a vida dos moradores, destruir o tal museu, mas sem ter com quem lutar ele perde seu horizonte. Não tem mais por que existir. E aí bate a depressão.

A única saída para esta situação é usar seu intelecto avantajado para criar um novo herói. E assim, usando o DNA do herói, ele cria uma forma de injetar em uma pessoa pura e boa os superpoderes que um dia pertenceram ao Metro Man. O plano sai mais ou menos como planejado e em pouco tempo Metro City tem um novo herói, Titan (voz de Jonah Hill).

Clássico

Antes de ir para as ruas, Titan recebe treinamento do próprio Megamente, devidamente disfarçado de "pai espacial", com direito a imitação de Marlon Brando - o pai do Superman no filme de 1978 - piada que muitas das crianças que estarão no cinema certamente não entenderão. Aliás, piadas e referências aos heróis dos quadrinhos e das telas (Sr. Miyagi está lá!) estão por todas as partes e são um banquete aos mais velhos, que poderão curtir o filme tão ou mais do que os pequenos. Outro ingrediente que deve agradar aos adultos é o rock 'n roll que permeia a animação. De AC/DC, Ozzy e Elvis a Guns n' Roses e até Michael Jackson, a trilha sonora foi muito bem escolhida e combina com as entradas triunfais que só um supervilão de berço como Megamente poderia imaginar.

O que nem ele imaginaria, no entanto, é que Titan usaria seus poderes para o mal, cabendo a Megamente o papel de salvar a cidade. Comparar Megamente com Os Incríveis é tão inevitável quando injusto. Enquanto a Pixar, acompanhando o histórico Disney, constrói heróis e arquétipos (mesmo que de formas não convencionais), a Dreamworks continua apostando na desconstrução, fazendo mais piadas do que tentando emocionar o público. E pensando assim, o paralelo mais próximo de Megamente seria o desenho-surpresa deste ano, Meu Malvado Favorito.

As duas animações surgem para provar que 2010 foi o ano dos anti-heróis no cinema. Afinal, passaram pelas nossas telas três grupos de procurados pelas agências federais (Os Mercenários, Esquadrão Classe A e Os Perdedores), e até as menininhas entraram nessa quando Hitgirl chutou bundas em Kick-Ass - Quebrando Tudo. E, convenhamos, foi legal. Um mundo só de heróis é tão ou mais chato do que um só de vilões. Afinal, como Alan Moore bem definiu no seu clássico A Piada Mortal: o que seria do Coringa sem o Batman? (e vice-versa).

Nota do Crítico
Ótimo