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Crítica

Mazinger Z: Infinity | Crítica

A magia dos robôs gigantes

Gabriel Avila
07.06.2018
10h53
Atualizada em
07.06.2018
15h00
Atualizada em 07.06.2018 às 15h00

O ano de 2018 marca o aniversário de 50 anos de carreira de Go Nagai. Considerado um mestre dos mangás, o autor influenciou uma geração de artistas, como Kentaro Miura (Berserk) e Hideaki Anno (Evangelion). Seu trabalho voltado à ficção científica com toques de terror está sendo revisitado para celebrar sua trajetória. Entre lançamento de animes como Devilman Crybaby e o reboot de Cutie Honey, não poderia faltar sua criação mais popular: Mazinger Z.

Nagai é creditado como um dos pais dos mechas, os robôs gigantes que ficaram populares no ocidente com a ajuda de séries de TV como Ultraman. O gênero tem suas raízes nos anos 70 com o mangá de Mazinger Z, que anos depois virou um anime de sucesso. A trama acompanha Koji Kabuto, que pilota o super robô que dá nome ao mangá, criado por seu avô para combater o maligno Dr. Hell e seus monstros mecânicos. Após uma série de continuações e reboots do anime, estreia nos cinemas Mazinger Z: Infinity, que chega agora ao Brasil.

A trama se passa 10 anos depois do desfecho da série original, após o fim da grande guerra. Koji se aposentou junto ao Mazinger e decidiu seguir a carreira de cientista assim como seu avô. Porém, ele precisa pilotar o robô uma vez mais quando a Terra é ameaçada por “Infinity”, um novo mecha ainda maior, que tem o poder para dizimar um universo inteiro e está sob o comando do próprio Dr. Hell. Com todos os ingredientes que tornaram a franquia um clássico, o filme acerta seu público em cheio, mas derrapa na hora de renovar sua audiência.

Apesar de ser continuação de uma série iniciada em 1974, o filme não explica muito do que aconteceu antes para possíveis novos fãs. Não há muita descrição sobre personagens ou suas trajetórias até aquele momento, o que pode afastar um marinheiro de primeira viagem no universo. Ainda assim, o anime apresenta informações importantes para que a trama atual ocorra, então mesmo que seja incompleta, a experiência não é completamente incompreensível.

O ponto forte da animação é justamente ativar a nostalgia com a consciência de que seu público amadureceu. A trama conta com heróis carismáticos, que se relacionam com o público ao ter de lidar com questões mais complexas, como carreira e paternidade enquanto salvam o dia. Fugindo de uma premissa simplesmente focada na luta do bem contra o mal, a narrativa conversa diretamente com o fervoroso fã que acompanhou a evolução dos mechas e sabe de cor e salteado as possibilidades já abordadas no gênero. Embora tente complicar até demais certos conceitos como multiverso, é uma mudança de ares muito bem-vinda.

O visual da animação não deixa a desejar, utilizando o traço original de Nagai como inspiração, mas livre para se atualizar e deixar as movimentações mais fluidas. Ao longo de seus 95 minutos, o filme mostra que um clássico pode usar técnicas modernas a seu favor, ao utilizar modelos 3D em cenas de combate para dar uma nova roupagem às máquinas, com um grande cuidado para não destoar do resto, que utiliza o 2D tradicional.

A escolha de trazer o retorno dos mechas como um longa-metragem, e não como série, sugere que os robôs gigantes não têm o mesmo apelo do passado, mas Mazinger Z: Infinity trás de volta a magia das lutas de robôs gigantes em uma grande saudação aos seus fãs e, principalmente, a seu criador.

Nota do Crítico
Bom