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Crítica

Mary Shelley | Crítica

Elle Fanning capta a doçura e a raiva da escritora responsável por Frankenstein

Natália Bridi
11.09.2017
10h33
Atualizada em
11.09.2017
11h11
Atualizada em 11.09.2017 às 11h11

Quando tentou, aos 18 anos, publicar Frankenstein, Mary Godwin ouviu as mais variadas recusas de editores. Se não duvidavam da sua autoria, consideravam o tema inapropriado para uma jovem do século XIX. Quando finalmente aceitaram publicar o livro foi sob a condição de que a autora permanece anônima e que o poeta Percy Shelley, seu companheiro, escrevesse uma introdução - o que levou muitos a acreditarem que ele era o autor. Apenas na segunda edição o seu nome, já como Mary Shelley, foi revelado para o mundo.

Nada mais justo então que essa jornada por reconhecimento seja contada por duas mulheres. A diretora Haifaa Al Mansour e a roteirista Emma Jensen assinam essa cinebiografia de Mary Shelley para, além de contar a história de um dos mais importantes nomes da literatura fantástica, provar a importância da representatividade atrás das câmeras. A forma como o filme entende as alegrias e angústias de Mary é consequência direta dessa autoria feminina.

É um mundo de horrores e delicadezas, com Elle Fanning captando a doçura e o raiva da escritora, e um um mundo de desajustados joviais, com Douglas Booth e Tom Sturridge dando a Shelley e Lord Byron o charme imprudente que autoriza a tudo. Suas vidas são romantizadas, as situações simplificadas, mas a verdade é mantida para revelar as dores que levaram Mary a criar um dos maiores monstros da história.

A montagem com desvios não lineares reforça o tom sensorial do filme. Há muito que não precisa ser dito para ser entendido, o que torna menos maçante o objetivo de revelar as inspirações por trás de uma obra famosa. As peças do monstro de Mary Shelley surgem aos poucos e são sensivelmente reunidas para criar uma história coesa e agradável.

Essa é uma cinebiografia necessária, que mostra outro olhar sobre o mundo, seja pela sua protagonista, seja pela forma como sua história é narrada. Com a criatura do Dr. Frankenstein, Mary Shelley levou uma necessária mensagem sobre dor e abandono para um mundo que preferia mascarar a realidade. Sua história precisa ser conhecida e o filme de Mansour e Jensen é uma bela introdução.

Nota do Crítico
Ótimo