Máquinas Mortais

Créditos da imagem: Universal/Divulgação

Filmes

Crítica

Máquinas Mortais

Falta carisma e criatividade ao épico pós-apocalíptico produzido por Peter Jackson

Mariana Canhisares
10.01.2019
20h42
Atualizada em
10.01.2019
20h57
Atualizada em 10.01.2019 às 20h57

Máquinas Mortais poderia marcar o início de um novo universo cinematográfico fantástico, tão adorado pelos fãs quanto O Senhor dos Anéis e Harry Potter. No entanto, nem mesmo o visual impecável do “épico” é capaz de reverter a completa falta de carisma dos personagens e da própria sociedade nele retratado.

Levando às telas o mundo pós-apocalíptico steampunk da obra de Philip Reeve, a nova investida de Peter Jackson como produtor se provou, em última instância, desinteressante e repleta de clichês. A jornada da protagonista Hester Shaw (Hera Hilmar) para se vingar do ambicioso Thaddeus Valentine (Hugo Weaving), assim como sua improvável parceria com o sonhador Tom Natsworthy (Robert Sheehan) parecem muito familiares, porque você já viu boa parte dos elementos dessa história antes, em outro cenário. Se não em uma galáxia muito distante, simplesmente em um romance adolescente qualquer.

Nesse contexto, o ritmo lento e os pequenos desvios da trama principal - já esperados de um filme de aventura atrelado ao nome de Jackson - facilmente tornariam a experiência mais tediosa não fossem a beleza e o nível de detalhes desse universo. Sabiamente, o diretor Christian Rivers usa parte das mais de duas horas de filme para valorizar cada cidade, dando ao espectador ao menos um ou outro momento para se interessar pelo conflito e até se empolgar com a ação e os deslocamentos dos protagonistas. Porém, até que essas cenas cheguem, há muito melodrama no caminho.

Por isso, é difícil se envolver com o passado dramático de Hester, ou se importar com os aprendizados de um personagem tão ingênuo como Tom - e as atuações mornas da dupla Hilmar e Sheehan não são suficientes para que se torça por eles. Quem de fato se sobressai é Weaving, que dá alguma substância para um vilão simplista, e a atriz Jihae, que quando aparece rouba a cena como a rebelde Anna Fang - facilmente a personagem mais interessante no meio de tudo isso.

Talvez, se tivesse sido lançado anos antes, os clichês não saltassem tanto da tela. Mas, agora, Máquinas Mortais vale mesmo pelo espetáculo visual. A história em si está longe de encantar.

Nota do Crítico
Regular