Máquina de Guerra | Crítica do filme da Netflix
Netflix coloca Alan Ritchson contra um alienígena robótico no meio das montanhas
Depois de fincar o nome como o sisudo e carismático Jack Reacher na série do Prime Video, Alan Ritchson parece empenhado em se tornar uma estrela de ação do streaming. O mais novo filme de ação da Netflix, Máquina de Guerra, usa todos os atributos mostrados pelo ator no seriado e os transporta para um terreno em que o inimigo é muito maior do que mafiosos e gangues: uma máquina assassina extraterrestre.
Ao lado de um batalhão de elite em treinamento, Ritchson faz o líder relutante que se vê em uma situação inviável: escapar das garras de uma nave de combate que pousa na Terra e começa a caçar seus comandados dentro de um território em que, supostamente, eles deveriam recuperar uma simples aeronave. Ao longo de quase duas horas, eles passam por inúmeras provações corriqueiras deste tipo de filme: a perda do soldado carismático, a travessia perigosa, a revelação do passado obscuro e até a união improvável entre desafetos.
Máquina de Guerra funciona de verdade nas cenas de ação que constroem um suspense eficiente, como quando o esquadrão cruza o rio ou na frenética sequência de perseguição com o tanque no terceiro ato. Tudo parece uma grande cutscene de videogame, mas extremamente bem coordenada e com consequências condizentes com a história. A prioridade aqui é o impacto, ainda que o roteiro insista em dar importância demais aos dilemas familiares do soldado.
O drama raso não é um grande problema em Máquina de Guerra, pois serve como um simples pano de fundo para criar um suposto carisma em 81, o protagonista. A questão é que a pobreza do texto fica evidente quando o filme sai da ação para dar alguma atenção a esse segmento. Ainda assim, Ritchson consegue segurar bem enquanto está em tela, mesmo que tenha pouco com o que trabalhar no texto ou nos coadjuvantes descartáveis e completamente esquecíveis.
O filme tenta, do meio para o final, emular uma versão moderna de Predador, com o embate entre homem e alienígena, mas soa mais como uma homenagem solta do que como inspiração. O que começa com sequências interessantes de ação termina pesando a mão no drama e no intuito de criar uma franquia, já pensando em uma continuação que expanda os “mistérios” da invasão que começou. O fato é que, quando Máquina de Guerra tenta ser um filme de ação e sobrevivência, ele funciona. Quando quer ser uma franquia sci-fi dramática, parece só mais um produto genérico.