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Manhunt | Crítica

Com trama ágil e sem se levar muito a sério, filme é uma jornada frenética e proveitosa

Natália Bridi
08.09.2017
13h43
Atualizada em
08.09.2017
18h00
Atualizada em 08.09.2017 às 18h00

Sem qualquer compromisso com lógica ou realismo, John Woo mostra, aos 70 anos, como a capacidade de entretenimento do cinema é algo que não pode ser fabricado ou ensinado. Nas mãos de outro, o mesmo Manhunt poderia ser uma grande bobagem, mas com Woo se torna uma jornada frenética e proveitosa.

Remake do filme de 1970 sobre um homem acusado injustamente de um crime e que foge para provar a sua inocência, a nova versão já anuncia nas cenas iniciais que não tem muita paciência: “Eles falavam demais”, responde uma personagem depois que outra reclama que ninguém comenta mais sobre filmes antigos. Woo segue essa máxima e não perde tempo nem com diálogos, nem com cenas desnecessárias. Em um momento, quando o fugitivo Du Qiu (Zhang Hanyu) busca abrigo em uma alegre favela, o diretor resume o momento da nova amizade feita com um ancião local em duas imagens estáticas. Pronto. Hora de seguir em frente.

Além de se opor à falta de agilidade do cinema antigo, Woo ironiza o cinema de ação americano. O policial vivido por Masaharu Fukuyama é todos os clichês em um (passado problemático, resolve crimes do seu próprio jeito e sabe escolher o fio certo para desarmar uma bomba no último segundo), além de ser tão capaz de soltar frases de efeito com seu inglês empolado quanto de dar tiros certeiros.

Soma-se um time de ninjas assassinas aprimoradas com drogas ilegais e a parceria inusitada entre Du Qiu e o policial (que precisam lutar algemados, claro) para que se chegue a uma conclusão alucinada - mas não antes de algumas reviravoltas. Woo mostra em Manhunt que quando o objetivo é simplesmente entreter, o cinema precisa se levar menos a sério (e fazer uma mirabolante cena de luta com uma revoada de pombas brancas).

Nota do Crítico
Bom