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Crítica

Mamonas Pra Sempre! | Crítica

Documentário traz muitas imagens de bastidores e arquivo pessoal da banda

Marcelo Forlani
16.06.2011, às 19H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 14H22
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 14H22

Peço licença para começar este texto em primeira pessoa, mas preciso dizer que embora não fosse um fã dos Mamonas Assassinas, aprendi a admirar os caras. Conheci o grupo pessoalmente quando trabalhei na extinta 89 FM - A Rádio Rock e cheguei a ver uns dois ou três shows deles ao vivo e era impressionante a bagunça que apenas cinco pessoas conseguiam fazer em um local. A emissora foi a primeira em São Paulo a acreditar na banda (antes dela, só a Cidade FM, do Rio de Janeiro, havia tocado "Pelados em Santos"). Quando a música entrou na programação, causou estranheza. Ela era meio rock, mas tinha uma "pegada" cômica que quase eclipsava isso, com vocais que imitavam nordestinos e uma letra cheia de trocadilhos e malícia. Era estranho e da mesma forma que estourou poderia ter ficado lá na gaveta pegando poeira até hoje. Mas, ironicamente, deu tudo certo - até dar tudo errado.

O documentário Mamonas Pra Sempre! está pronto desde 2009 e foi exibido em alguns festivais aqui no Brasil e também em Portugal, sempre com grande sucesso junto ao público. O carisma de Dinho, dos irmãos Samuel e Sérgio Reoli, de Júlio Rasec e de Bento Hinoto é impressionante e o vídeo - repleto de imagens de arquivo feitas pela própria banda - serve para mostrar que nada daquilo era premeditado. Eles fizeram sucesso sendo eles mesmos, fato que é dito repetidas vezes nas entrevistas com o empresário e produtor Rick Bonadio, familiares e demais entrevistados.

Mamonas Pra Sempre

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Do Utopia, banda de Guarulhos que fazia covers de Legião Urbana, Titãs e Rush, e tinha lá a sua meia dúzia de fãs, ao fenômeno Mamonas Assassinas, que enchia ginásios de esportes de crianças, adolescentes e adultos e fazia programas de televisão bater recordes de audiência, a carreira da banda está toda contada ali.

Como manda a regra dos documentários musicais, o filme vai contando a história mesclando entrevistas, cenas de arquivo e trechos de shows. Tudo bem quadradinho, bem roteirizado até o clímax, que mostra um desabafo de Dinho em um show na sua Guarulhos natal. Os depoimentos contextualizam o que aconteceu ali: cinco anos antes, na época em que o Thomeuzão foi inaugurado, Dinho foi pedir para que sua banda fizesse o show de abertura. O pedido foi negado. Onde muitos desistiriam, ele e seus amigos persistiram. E quando finalmente conseguiram tocar por lá, já no auge de sua popularidade, eles entram no palco sem as fantasias que ajudaram a torná-los populares. Depois de tocar músicas da época do Utopia, Dinho pegou o microfone e contou a forma como foi maltratatado e deu a volta por cima. Em um discurso de auto-ajuda de fazer inveja a muito palestrante por aí, ele pede a que cada uma das pessoas ali presentes que acreditem em si mesmos, que seus sonhos podem ser realizados, assim como os deles estavam sendo naquele momento. É um discurso cheio de raiva, alegria e muito energia. Contagiante, sem dúvida, e totalmente verdadeiro.

Como documento e, principalmente, pelo vasto arquivo pessoal liberado pelos familiares e pelas grandes emissoras de TV, Mamonas Pra Sempre! cumpre seu intuito inicial de eternizar o gigantesco sucesso que aqueles cinco meninos de Guarulhos fizeram em apenas 10 meses. A produção, porém, peca pela falta de cuidado estético. As entrevistas têm qualidade de vídeo de trabalho de faculdade (talvez por serem inicialmente apenas material de pesquisa que o diretor Claudio Khans fazia para escrever um roteiro ficcional sobre a banda) e as vinhetas, que tentam ser engraçadinhas como eram os Mamonas, mal conseguem arrancar um sorriso.

O filme vale como registro do grande fenômeno que foi a banda, que acabou sendo vítima de seu próprio sucesso. Um dos empresários lembra que a turnê deles, que compreendia até mais de um shows por dia foi toda montada pelo telefone, de acordo com o interesse dos empresários locais. O grupo tocava no nordeste em um dia, no sul no dia seguinte e tinha de aparecer nos programas dominicais, algo que só seria possível com um avião. Até que em 2 de março de 1996 eles voltavam de uma apresentação em Brasília e a brincadeira acabou. Era o último show da turnê brasileira. No dia seguinte eles seguiriam para Portugal e depois começariam a pensar em um segundo disco, com uma turnê melhor estruturada. Não deu tempo.

Mamonas Pra Sempre! | Cinemas e horários

Mamonas pra Sempre!
Mamonas pra Sempre!
Mamonas pra Sempre!
Mamonas pra Sempre!

Ano: 2009

País: Brasil

Classificação: 10 anos

Duração: 85 min

Nota do Crítico
Regular

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