A Maldição do Espelho, terror russo

Créditos da imagem: A Maldição do Espelho/Divulgação

Filmes

Crítica

A Maldição do Espelho

Direção e uso de efeitos práticos são destaque em terror russo clichê e pouco inspirado

Arthur Eloi
12.03.2020
10h25

De uns anos para cá, o terror norte-americano passou a dividir espaço com mais filmes de outros países nas telonas brasileiras. Foi dessa forma que produções do Japão e Coreia do Sul conquistaram certo prestígio, mas um país que ainda não se provou por aqui é a Rússia. Até o momento os resultados são mornos, sem nada de destaque, mas A Maldição do Espelho (2019) é o primeiro dessa leva recente que consegue segurar a barra, ainda que não seja nada de especial.

O longa de Aleksandr Domogarov (Why Don’t You Just Die!) se inspira na lenda urbana da Rainha de Espadas, uma figura sobrenatural que concede desejos quando invocada - mas com um alto preço a ser pago. Na trama, dois irmãos são mandados para um internato após perderem sua mãe em um acidente de carro. Ao tentarem se enturmar com os alunos de lá, despertam a figura macabra durante uma brincadeira, que passa a perseguí-los para realizar suas pedidos de formas perturbadas. Apesar de ter uma camada de mitologia própria interessante e bem desenvolvida em flashbacks, é uma história bastante tradicional que mistura de clichês a lá “Loira do Banheiro” com o conceito de Trocas Macabras, de Stephen King. Isso, porém, não significa que o filme não diverte.

Assim com em um slasher, é interessante ver como a vilã vai caçando um a um do grupo de protagonistas. Os personagens não são lá muito bem desenvolvidos mas, como se encaixam nos estereótipos de high school, todos têm características marcantes o suficiente para serem exploradas pela assombração em mortes “personalizadas” de acordo com o desejo de cada um. É uma abordagem que lembra muito Premonição, mesmo que não tão inventiva nas sanguinolência quanto a franquia.

O filme surpreende na estética, com cenários góticos e boa direção por Domogarov. Melhor ainda é o fato de que a produção segue na via contrária ao terror de baixo orçamento e opta pelos efeitos práticos, ao invés da computação gráfica. Além disso, por mais que tenha alguns sustos baratos, o longa muitas vezes troca o barulho pelo silêncio, e os jumpscares pelas ilusões de óptica. Tudo isso dá a sensação de algo mais profissional, e compensa bastante da mediocridade narrativa.

A Maldição do Espelho é um filme puramente comercial, feito apenas para ser distribuído internacionalmente a preço de banana com uma horrenda e desastrosa dublagem em inglês. É isso que torna surpreendente encontrar algum esforço cinematográfico por trás da trama preguiçosa e clichê. O longa pode não convencer por completo - ainda mais com um final tão sem graça - mas tem seu valor e alguns bons acertos.

Nota do Crítico
Regular