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Crítica

Maldição da Múmia é o filme de terror mais visceral e nojento do ano

Dirigido por Lee Cronin, longa-metragem visceral testará os estômagos dos espectadores

Omelete
5 min de leitura
16.04.2026, às 10H00.
Maldição da Múmia

Créditos da imagem: Blumhouse

Será necessário tirar da cabeça o que você imagina como um filme da Múmia ao entrar no cinema para ver Maldição da Múmia (2026), o brutal novo pesadelo dirigido por Lee Cronin. Depois de exponencializar os horrores de A Morte do Demônio: A Ascensão (2023), Cronin coloca em tela uma versão nojenta e sem reservas de outro clássico. Se em A Ascensão ele manteve o humor ácido dos Evil Dead de Sam Raimi, mas encontrou novas avenidas (ou corredores, melhor dizer) para o horror ao transportar o Necronomicon para um prédio, aqui, ele faz da criatura mumificada um veículo para terror pleno.

Vindo de iterações aventurescas como A Múmia (1999) estrelada por Brendan Fraser ou o fracasso de 2017 que tentou lançar o Dark Universe com Tom Cruise, não deixa de soar como uma novidade essa volta ao terror mais despojado – que no mais parece bem afinado com o cinema de gênero direto ao ponto, de orçamento enxuto, comum na produtora Blumhouse. Sai o acúmulo de milhas à la Indiana Jones entre as pirâmides no Egito e os museus na Inglaterra, permanece a vocação para filme-de-criatura de onde a Múmia saiu na época de ouro dos monstros da Universal, ao lado de Drácula e Frankenstein. De menor escopo e com a missão de fazer seu A Morte do Demônio parecer pouco sangrento, Maldição da Múmia é primeiramente uma correção de curso.

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O Egito, claro, está presente, e serve de pontapé para a história. É lá que Charlie e Larissa Cannon (Jack Reynor e Laia Costa) moram quando Katie (Natalie Grace), sua filha do meio, desaparece. Oito anos depois, ele, correspondente internacional, e ela, enfermeira, vivem no Novo México (EUA) com a mãe de Larissa, Carmen (Verónica Falcón) e seus outros dois filhos: Sebastían (Shylo Molina) e Maud (Billie Roy), garota que nasceu pouco depois do aparente sequestro de Katie. É no deserto americano, muito diferente daquele que eles deixaram para trás na África, que os Cannon recebem a ligação pela qual sempre esperaram: Katie está viva. Ela foi encontrada, claro, dentro de um sarcofágo.

Maldição da Múmia vale a pena?
Blumhouse

Até por vir de outro estúdio (Warner Bros. é responsável por este, enquanto os filmes de Fraser – que retornam em 2028 – são da Universal), há aqui algo independente, em termos de franquia e  de abordagem. A proposta, no geral bem-sucedida, de Maldição da Múmia está em explorar ao máximo um conceito intrínseco à mumificação: a decomposição. Talvez seja um exagero chamar o filme de body horror, mas Cronin se aventura criando horror a partir do corpo da múmia no centro de seu filme – como seu cabelo está caindo, como suas unhas cresceram, como a pele ficou pálida, e assim vai. Se mumificar alguém atrasa os efeitos da natureza no cadáver, então, desenrolar essa pessoa não trará coisas boas.

Depois que Kate chega no Novo México, Maldição da Múmia encontra de vez seu ritmo, um que se revela tanto bem-vindo quanto familiar demais, e só deixamos a residência dos Cannon para ver a investigação da detetive egípcia interpretada por May Calamawy que ainda tenta descobrir o que aconteceu com Katie. O filme se torna, essencialmente, um filme de casa assombrada, mas um onde a assombração não está nas paredes, e sim numa garota. Enquanto Cronin vai, pouco a pouco, desvendando a mitologia que construiu para sua versão de A Múmia, o diretor faz o que sabe melhor: repetidamente testar nossa capacidade de continuar olhando para a tela. 

Como dito, a própria Kate, e aquilo que se pode fazer com seu corpo depois do tempo mumificado, é o principal vetor disso tudo. Entregando uma atuação digna dos halls da fama de crianças assustadoras, a jovem Natalie Grace, cujo rosto marcante se encaixa perfeitamente no papel de alguém que envelheceu enterrada no deserto, se revela como o viés perfeito para Cronin colocar em tela alguma imagem que gerará repulsa e enjoo. O cineasta parece se desafiar a cada cena, e encontra na atriz a aliada perfeita para elaborar momentos que superam em nojo e medo o anterior. Especialmente eficaz é ver Katie manter um rosto sem expressões, ou até com um sorriso macabro, quando ela faz as maiores bizarrices imagináveis. 

Curiosamente, porém, o maior mérito de Maldição da Múmia se revela, também, como seu maior problema. Não entraremos em spoilers, mas quando Cronin enfim oferece detalhes concretos do mal que se fez com Katie, o filme se torna perigosamente semelhante a um terror de possessão comum. Os pontos específicos da tal maldição, e por que Katie foi escolhida, até são interessantes, mas a dinâmica da menina com os outros personagens acaba pendendo para o genérico. Sim, ela foi mumificada, mas não seria muito diferente se ela estivesse possuída por Pazuzu. Entre vozes estranhas e ideias demoníacas, Maldição da Múmia passa a prestar mais atenção na primeira parte de seu título, e isso prejudica especialmente os coadjuvantes.

Maldição da Múmia é bom?
Blumhouse

Dos irmãos assustados aos pais desesperados para salvar a filha, passando pela policial investigando o caso e se deparando com algo para o qual ela não estava preparada, é fácil ser tomado por uma sensação de “eu já vi este filme”, mas para o bem de Maldição da Múmia, nenhuma das comparações que surgem na mente deve envolver outras versões deste monstro.

Vemos um belo caso de “parecido, mas diferente". Em outras palavras: já vimos coisas assim, mas nunca envolvendo A Múmia. Por mais que fosse ideal que Cronin explorasse mais a fundo o que diferencia esse monstro de outras figuras já minadas pelo cinema de terror, Maldição da Múmia funciona de forma imediata. Seu impacto é visceral e físico. A reação é involuntária e inevitável. Será interessante ver como o filme envelhece, e o quanto ele ficará na mente de quem o assistir depois que as luzes da sala se acenderem, mas enquanto estamos no escuro, ele tem nossa total atenção.

Maldição da Múmia estreou nos cinemas brasileiros em 16 de abril.

Nota do Crítico

Maldição da Múmia

Lee Cronin's The Mummy

2026
134 min
País: EUA
Direção: Lee Cronin
Roteiro: Lee Cronin
Elenco: Laia Costa, Natalie Grace, Jack Reynor, May Calamawy
Onde assistir:
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