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Crítica

Magal e os Formigas | Crítica

Comédia depretensiosa esbarra em teatro gravado e história fraca

Jacídio Junior
27.12.2016
08h08
Atualizada em
15.02.2017
15h08
Atualizada em 15.02.2017 às 15h08

Magal e os Formigas de início é um filme despretensioso que, justamente por essa característica, poderia tirar a comédia nacional da mesmice que replica a televisão de forma quase infinita. A premissa, mesmo não sendo original, com um fantasma (Sidney Magal) que surge para ajudar um velho rabugento (Norival Rizzo) causa certa empatia, principalmente por Magal estar na tela. No entanto, o diretor Newton Cannito, estreante na função em filmes de ficção, se perdeu onde vários diretores brasileiros se perdem, na realidade dos acontecimentos. Com nomes conhecidos do teatro, o longa se tornou uma peça gravada, com pronúncia impecável de todas as palavras. Isso em conjunto com uma família tipicamente do subúrbio paulistano - com imagens identificando a cidade o tempo todo - , mas os quais, com exceção de Mel Lisboa, falam como cariocas natos.

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São detalhes que, desde o início, acabam tirando a atenção do espectador da história, justamente por não permitir a credibilidade dos eventos mostrados desde o primeiro minuto na tela. Obviamente que estamos falando de fantasmas aqui, mas para que seja possível acreditar no que a família vê, ela precisa ser real e são poucos os momentos nos quais todos parecem realmente estar naquela situação. O longa segue com sua história na qual João, o velho rabugento, passa o resto de  seus dias tentando vender uma invenção e ganhar na Loto. Ele convive com sua esposa Mary (Imara Reis) e sua filha Sandra (Mel Lisboa), em uma dinâmica familiar muito palpável para a classe trabalhadora, um casamento desgastado pelo tempo, a mãe querendo reformas, o pai bagunceiro, entre outros fatores.

Magal surge na trama como um ser da cabeça de João, para ajudá-lo a superar a fase difícil e mostrar que existem outras possibilidades para fazer a vida ser mais feliz e plena, apesar da falta de dinheiro. No entanto, os dois primeiros terços do filme não se desenvolvem de maneira satisfatória, com piadas que não se encaixam e um ritmo que não ajuda nem no desenvolvimento da comédia nem do drama. Os núcleos paralelos - os amigos da oficina mais o irmão (Zécarlos Machado) que ficou rico de forma ilícita, muitas vezes surgem na trama sem que haja a necessidade de estar ali, sem auxiliar no desenvolvimento da história.

Por fim, no último terço do longa, os eventos conseguem engatar algumas sacadas cômicas e um bom andamento, mas isso é perdido mais uma vez em meio a um acontecimento inesperado que não colabora com ritmom da produção e joga por água abaixo o que vinha sendo conquistado nessa última parte. Um filme que poderia ser interessante graças a uma boa ideia, que já foi explorada anteriormente, mas que se perde em pontos-chave, fazendo com que o espectador não possa acreditar nem se conectar em grande parte do que acontece com a família.

Magal e os Formigas
Magal e os Formigas

Ano: 2016

País: Brasil

Classificação: 12 anos

Duração: 90 min

Direção: Newton Cannito

Roteiro: Newton Cannito

Elenco: Sidney Magal, Imara Reis, Mel Lisboa

Nota do Crítico
Regular

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