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Crítica

Loving Pablo | Crítica

Narradora do longa, Penélope Cruz é apenas uma desculpa para recontar a história de crime

Natália Bridi
12.09.2017
14h47
Atualizada em
23.08.2018
15h51
Atualizada em 23.08.2018 às 15h51

A cinematográfica vida de Pablo Escobar foi absorvida pela cultura pop, que transformou o narcotraficante colombiano em uma mistura de Don Corleone e Tony Montana para a nova era. É um papel que se tornou obrigatório para os grandes atores latinos. Benicio del Toro, Wagner Moura e agora Javier Bardem encarnam Escobar com abordagens diferentes, muito além das suas marcas públicas de violência, populismo e da sua pança e bigode característicos.

Em Loving Pablo, Fernando León de Anaroa busca o lado apaixonante do traficante ao adaptar as memórias de uma de suas amantes, a apresentadora Virgínia Vallejo, interpretada por Penélope Cruz. Essa combinação de objetivo, elenco e direção em uma coprodução Espanha/Bulgária leva imediatamente à pergunta: por que contar essa história em inglês? O que seria aceitável em um filme comercial soa incômodo em um longa de intenção passional. É um detalhe que se torna gritante frente ao esforço para mostrar autenticidade estética e histórica, frente a coragem para chocar com violência e a decadência dos seus personagens.

A narração de Virgínia, que deveria apresentar o seu lado dos fatos, apenas maquia a mesma narrativa. Ao invés de mostrar o olhar de um mulher bem sucedida que se vê seduzida por um monstro em pele de cordeiro, a produção prefere dar mais atenção a Pablo e a busca por respeito que foi a sua perdição. O título sobre amar Pablo nunca se justifica. Virgínia é tratada pelo filme como mera informante, não como personagem.

A verdade de Loving Pablo está nas atuações de Bardem e Cruz, mas é um esforço que não tem apoio da narrativa. Anaroa não entendeu Virgínia e tampouco se atreveu a questioná-la. Ela é uma desculpa para recontar a mesma história de crime, a mesma caçada policial, agora em um filme para gringo ver.

Nota do Crítico
Regular