Linkin Park: Unshatter é sessão de terapia entre banda e fãs com excelente registro de show em São Paulo
Documentário registra a busca da banda por um recomeço após a perda de Chester Bennington
Chester Bennington foi uma das vozes mais influentes do rock nos anos 2000. Por mais que os saudosistas do gênero torcessem o nariz para o Linkin Park, o grupo norte-americano foi um dos mais aclamados do início do novo milênio — e perpetua seu sucesso até hoje. Quando o ex-vocalista foi encontrado morto, em 2017, um grande vazio tomou conta da base de fãs. Daqueles que aguardavam novos lançamentos e turnês até os que encararam o fato como o fim definitivo da banda, a incerteza sobre o futuro do Linkin Park durou sete anos — até o anúncio oficial do retorno. É nessa volta que Linkin Park: Unshatter se debruça, colocando o Brasil no centro dessa história.
O documentário — que abre com registros de fãs na fila do estádio no Brasil declarando seu amor ao Linkin Park, com alguns relatos afirmando como a banda salvou suas vidas — transforma-se em uma grande sessão de terapia entre os integrantes. Nela, eles discutem como a vida seguiu após a morte de Chester, a jornada solo de Mike Shinoda e, finalmente, a decisão de reagrupar o projeto. Nesse meio-tempo, o diretor do longa e DJ do grupo, Joe Hahn, passeia por encontros íntimos entre ele, Shinoda e outros membros para discutir esse processo. A recusa do baterista Rob Bourdon, o receio do guitarrista Brad Delson em aceitar a reunião e a importância da chegada de Colin Brittain ganham espaço na narrativa que Hahn escolheu contar.
A escolha de Emily Armstrong é a espinha dorsal do documentário. As semelhanças de atitude com Chester encantam o grupo, e Hahn explora bem como a presença da vocalista vai cativando os companheiros — para, depois, conquistar de vez o público quando ela é finalmente confirmada como a nova voz do Linkin Park. Acompanhamos sessões de gravação do álbum From Zero (em uma abordagem que lembra Foo Fighters: Back and Forth, sobre a produção do álbum Wasting Light) e seu lançamento na primeira apresentação com Emily. A dúvida sobre a substituição de Chester é abordada, mas nunca soa como um fardo insustentável para o grupo — ao contrário do peso real que foi a própria decisão de voltar aos palcos.
E esse retorno é mostrado de forma apoteótica no show em São Paulo que encerrou a miniturnê de reencontro. A ligação do público brasileiro com o grupo — e com a maioria dos artistas internacionais, sejamos sinceros — é essencial para entender a escolha da apresentação, que ganha tomadas marcantes de drone, imagens na pista e o próprio Joe Hahn operando a câmera do palco. Entrecortando a narrativa principal, a performance traz clássicos e canções do álbum recente, todas cantadas a plenos pulmões pelas milhares de pessoas que lotaram o Allianz Parque — atual Nubank Parque. O show toma a tela, e a sonoridade impressionante do longa cria uma imersão ainda mais apoteótica para os fãs.
Linkin Park: Unshatter é, no fim das contas, uma DR entre a banda e o seu público para apresentar os motivos da volta e o porquê de escolherem Emily para preencher o espaço deixado por Chester. Mais do que isso, é um agradecimento do Linkin Park àqueles que se mantiveram fiéis por tantos anos e abraçaram esse novo capítulo. Se Unshatter abre com fãs dizendo que o Linkin Park salvou suas vidas, ao término do documentário fica claro que foi o público quem salvou o Linkin Park — e que a memória de Chester continuará viva em ambos.
Linkin Park - Unshatter
LINKIN PARK: UNSHATTER
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