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Crítica

La Vénus Électrique abre Festival de Cannes 2026 de forma inofensiva

Comédia romântica francesa de Pierre Salvadori diverte mas não eletriza

Omelete
4 min de leitura
13.05.2026, às 08H30.
La Vénus Électrique

Créditos da imagem: Playtime

Há alguns anos, ser o filme de abertura do Festival de Cannes deixou de ser sinônimo de qualidade – se é que um dia isso já foi verdade. Em tempos recentes, o melhor que se pode esperar é uma diversão honesta, mas pouco memorável (Coupéz em 2022, O Segundo Ato em 2024) ou algo que desafiará os críticos mal-dormidos da Croisette a não pegar num sono (Jeanne du Barry - A Favorita do Rei em 2023, O Segredo da Chef em 2025). Por isso, caro leitor, entenda como uma celebração quando eu falo que La Vénus Électrique, abertura do evento esm 2026, se encontra na primeira dessas categorias.

Como manda a tradição, o filme está sendo lançado simultaneamente em cinemas de toda a França, e assistir à comédia romântica de Pierre Salvadori é identificar a versão francesa de um tipo de crowd-pleaser que o cinema de todo o mundo produz. Claro, em nenhum outro lugar do planeta os protagonistas seriam um pintor e uma atriz de circo, como é o caso do Antoine de Pio Marmaï e da Suzanne de Anaïs Demoustier, e se um dia surgir o remake norte-americano não veríamos tantas falas poéticas sobre o amor, mas La Vénus Électrique é, no fundo, sobre torcer para a moça terminar envolta nos braços do rapaz, e seu grau de sucesso depende principalmente do quão forte ele consegue deixar essa torcida em nós.

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O caminho é tão familiar, aliás, que como acontece em diversas histórias do gênero, La Vénus Électrique aproxima seu casal principal através de uma mentira. Suzanne trabalha num circo itinerante, mas não é a médium do lugar. Isso, porém, não impede que um Antoine embriagado tire essa conclusão quando ele tropeça para dentro da casa dessa tal vidente e se depara com Suzanne lá. Oficialmente empregada como a “Vênus Eletrificada” – uma mulher que, ao levar um doloroso choque vindo do palco, dá beijos elétricos para deixar homens apaixonados – e em dívida com o chefe dessa trupe, ela decide atender a Antoine quando este começa a tirar mais e mais francos da carteira. É 1928 e seus quadros garantiram uma farta fortuna para o pintor, mas depois de uma tragédia no amor, ele está há anos longe dos pincéis.

La Vénus Électrique
Playtime

A tal tragédia, logo descobrimos, foi a perda de sua amada Irène (Vimala Pons). Primeiro sua modelo, depois conselheira e então companheira de vida, ela é quem Suzanne precisa “invocar” em cada sessão de espiritualismo, e depois de adquirir os diários da falecida – contando com detalhes seu tempo com Antoine – e contar com a ajuda de Armand (Gilles Lellouche), melhor amigo do artista e dono de uma galeria que já lucrou muito com suas obras –, Suzanne passa a fazer um trabalho bom o suficiente para convencer seu alvo mesmo quando ele está sóbrio. A coisa complica, claro, quando um começa a se apaixonar pelo outro.

A partir daí La Vénus Électrique levanta uma série de vai-e-vens no roteiro que procuram sublinhar as ideias de falsidade e realidade que claramente fascinam Salvadori. De um olhar aos bastidores do circo até o uso do diário de Irène para revelar os segredos da primeira paixão de Antoine, o cineasta parece querer questionar o quão real é uma emoção gerada, ou sustentada, por artifícios. Todos os personagens nessa trama, até mesmo Antoine, buscam causar em outros uma reação e um sentimento usando algo fabricado como ferramenta. Seja via identidades falsas, mentirinhas bem boladas ou espetáculos montados cautelosamente, a ficção é sempre o motor da obra.

O que levanta dois problemas que Salvadori não consegue superar. O primeiro é que La Vénus Électrique começa a se comportar, como já dissemos, de maneira pra lá de conhecida. Fica claro para onde a história está indo e, apesar de uma ou outra solução criativa, o diretor ainda se move dentro de linhas muito previsíveis. Ainda assim, é mais fácil tolerar esse tipo de coisa quando nos envolvemos com o flerte no centro de tudo, mas aí temos o segundo, e mais relevante, erro do longa.

La Vénus Électrique
Playtime

De tom alegre e ritmo saltitante, La Vénus Électrique pouco faz para interrogar as ações de seus personagens mesmo quando estes violam a privacidade e confiança de outros em níveis cada vez mais alarmantes. No caso de Antoine e Suzanne, então, isso se revela particularmente danoso porque há inúmeras cenas de flashback para os dias do pintor com Irène, e tanto porque a química de Pons e Marmaï é melhor do que a de Demoustier e Marmaï, quanto porque ali há um conto sem tanta carga moral, é sempre mais fácil se deixar levar pelo primeiro romance do que pelo novo.

Claro, ainda é prazeroso ver o desenrolar de Suzanne e Antoine, mas a partir do momento em que sentimos que não estamos vendo a melhor história romântica presente no filme, a voltagem de La Vénus Électrique cai drasticamente.

Nota do Crítico

La Vénus Électrique

La Vénus Électrique

2026
122 min
País: França
Direção: Pierre Salvadori
Roteiro: Benoît Graffin, Pierre Salvadori
Elenco: Anaïs Demoustier, Gilles Lellouche, Vimala Pons, Pio Marmai
Onde assistir:
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