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Crítica

La La Land - Cantando Estações | Crítica

Musical do diretor de Whiplash reverencia antiga Hollywood sem perder de vista o novo público

Érico Borgo
14.09.2016
12h39
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

Damien Chazelle, diretor do elogiado Whiplash, desafia-se como poucos em La La Land - Cantando Estações. Aos 31 anos, o cineasta, em seu segundo filme com grande distribuição, opta por um longa completamente diferente do esperado dele: um musical.

O filme abre com uma impressionante sequência em uma rodovia em direção a Los Angeles. Centenas de carros travados em um dos engarrafamentos tão comuns à cidade. Aos poucos, jovens começam a deixar os veículos e cantar. São os aspirantes a artistas que peregrinam do mundo todo em direção ao sonho de una carreira na Meca do cinema - metáfora que voltará mais tarde. Logo na primeira sequência, Chazelle já cala os críticos que debatiam se ele seria um sucesso de um só filme. O diretor passeia pelo congestionamento enquanto os jovens dançam, cantam e sapateiam. Um furgão se abre revelando uma banda, a festa é total - tudo sem um corte perceptível sequer. O trânsito abre e todos retornam aos seus veículos. O sonho está mais próximo agora. Mas há quilômetros dessas pessoas - em um impressionante fim de take que integra a cena à cidade, ainda num fôlego só.

Somos apresentados então a dois desses aspirantes. Dois românticos que lutam por seu lugar ao sol. Um irascível e purista pianista de jazz (Ryan Gosling) -  lembrando a devoção do personagem de J.K. Simmons em Whiplash - e uma atriz (Emma Stone) que trabalha como barista na Warner Bros. enquanto faz seus testes de casting. Ambos cheios de sonhos e presos na difícil fase da vida da construção deles. Dos encontros casuais deles surge uma dose de energia para impulsioná-los na vida adulta.

Stone está encantadora no que deve ser o melhor trabalho de sua carreira. Especialmente por que o esforço de cantar e dançar dela é nítido. A atriz não tem esse treinamento clássico, afinal, assim como Gosling - que mal canta, mas convence muito como pianista. Chazelle sabe o que está fazendo, porém. Ele poderia ter colocado artistas que dessem mais poder e validação às cenas musicais. Mas a hesitação é parte do charme aqui.

Depois de sua sequência de abertura, Chazelle diminui o passo. Há mais  sequências de cantoria, mas nada nessa escala. A música continua porém. Seja nas explicações apaixonadas dele, ou na voz agradável que vende os projetos dela. O interessante é que o diretor - que também escreveu La La Land - vai integrando a música ao seu filme ao longo da história, explorando também sua ausência em uma sequência duríssima e triste, culminando na excepcional cena final.

Ensolarado e absurdamente colorido, o musical o tempo todo emprega imagens do passado, registradas nos muros e fachadas de Hollywood, nos cartazes e outdoors da cidade cafona. Os grandes de outrora, os clássicos, observam os protagonistas o tempo todo. São como santos de uma religião.

Chazelle fica, assim, o tempo todo de olho nos clássicos, que são referenciados também em locações e pequenos gestos, absolutamente respeitoso e reverente a eles. Mas a grande virtude de La La Land - Cantando Estações, uma que integra a própria essência do roteiro, é ser como a ponte do viaduto do início do filme... uma ligação entre duas eras, pensando no público. E - por que não? - o educando.

Nota do Crítico
Excelente!