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Kung Fu Panda 3 | Crítica

Desapego e consumo formam mais um belo yin-yang na nova animação da série

Marcelo Hessel
02.03.2016, às 13H17

Em poucas franquias hoje a cultura do fã e do consumo adquirem uma aura tão benévola quanto em Kung Fu Panda. O terceiro longa da mais bem sucedida série da DreamWorks Animation segue a receita dos filmes anteriores - que misturam filosofia zen com referências do cinema de artes marciais, embalados num visual arrebatador - e aposta mais no colecionismo.

Porque ao mesmo tempo em que seguimos o crescimento espiritual de Po (que depois de ter se tornado um mestre do kung fu agora precisa dominar o poder do chi), num aprendizado que vai ficando cada vez mais ligeiro a cada filme, o panda nunca deixa de ser o representante do espectador em cena, o fã fascinado com seus ídolos, fascínio esse que se realiza no consumo.

Em resumo, Kung Fu Panda 3 é o confronto entre um fã "do bem", Po, com suas piadinhas metalinguísticas de cinéfilo (a entrada triunfal, a saída dramática), e um fã predatório, o touro Kai, o ex-companheiro de Oogway que retorna ao mundo dos vivos depois de tomar a alma dos velhos mestres do kung fu (que Kai transforma em pedras e coleciona numa corrente). Ao contrário de Kai, o máximo que Po se permite, enquanto fã, é brincar por algumas horas com as armas e armaduras sagradas do templo.

Ao mesmo tempo em que fica difícil imaginar algo mais fofo do que ver panda pai e panda filho se divertindo juntos com seus brinquedos, e a questão do colecionismo volta sempre como piada na figura da Tigresa de miniatura, Kung Fu Panda 3 faz do consumo rápido também seu meio narrativo. Da trilogia, é o longa mais cheio de montagens pra dinamizar a trama (sempre apresentadas em estilizações de encher os olhos), o que passa a impressão de que as lições de Po vão ficando mesmo mais fáceis com os anos.

Em relação a essas narrativas compactas com poucos tempos fracos, Kung Fu Panda 3 ainda está longe de ser uma overdose de açúcar como os filmes de Madagascar, mas se há algo em comum entre as animações da DreamWorks é a capacidade de criar filmes incessantes sem que eles pareçam apressados demais. A cultura nerd também não é uma exclusividade de Kung Fu Panda; vem à mente o sucesso do primeiro Vingadores, o filme definidor dessa tendência, com seus heróis transformados em action figures reais aos olhos do fã Coulson, com seus cards do Capitão América.

O que Kung Fu Panda tem de particular, sim, e que até hoje continua sendo seu maior triunfo, seu ying-yang, é a incrível capacidade de conciliar os esoterismos de desapego do Oriente com essa incontornável religião do Ocidente que é o capitalismo.

Kung Fu Panda 3
Kung Fu Panda 3
Kung Fu Panda 3
Kung Fu Panda 3

Ano: 2016

País: EUA

Classificação: LIVRE

Duração: 0 min

Nota do Crítico
Bom

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