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Crítica

Kokuho: O Preço da Perfeição explora a rivalidade no mundo do kabuki

Filme japonês está indicado ao Oscar 2026 em Melhor Maquiagem e Penteado

Omelete
4 min de leitura
10.03.2026, às 07H00.
Kokuho: O Preço da Perfeição explora a rivalidade no mundo do kabuki

Créditos da imagem: Reprodução

A começar em 1964, Kokuho: O Preço da Perfeição explora a vida de Kikuo (Soya Kurokawa na infância, Ryo Yoshizawa no restante do filme). Filho de um chefe da yakuza, ele passa a morar com o mestre de kabuki Hanjiro Hanai (Ken Watanabe) depois da morte do pai, que vem justamente na noite em que o ator vê o garoto se apresentar pela primeira vez, e imediatamente reconhece seu talento para a histórica arte do teatro japonês. A questão é que Hanai já tem um filho, Shunsuke (Keitatsu Koshiyama, e depois Ryusei Yokohama), um garoto que pretende seguir os passos do pai e sonha em ser seu sucessor. Você pode imaginar o que acontece depois.

As vidas de Kikuo e Shunsuke passam a se entrelaçar. O primeiro é o talento nato, enquanto o segundo tem o sangue e o nome de uma dinastia artística. Kokuho salta frequentemente no tempo, avançando de década em década até chegar nos tempos atuais para explorar o sacrifício feito por esses dois homens em nome de sua arte, e como o relacionamento deles flutua entre irmandade, rivalidade e total separação. O resultado é um filme de escopo épico – são três horas de duração, e você sentirá cada uma delas. A jornada tem altos e baixos para os dois personagens. Ora um está no topo, e o outro longe dos holofotes; ora as coisas se invertem. Ao longo desta longa encenação, a direção do coreano Sang-il Lee busca justificar a obsessão de ambos pelo kabuki em especial através do espetáculo visual. 

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Após assistir ao filme, você sem dúvida entenderá a indicação de Kokuho ao Oscar de Melhor Maquiagem e Penteado. Não só há um enorme cuidado com a transformação destes homens nas personagens do kabuki – não é incomum ver homens atuando como mulheres nas peças – como Kokuho é claramente fascinado pelo processo em si. Repetidamente, a câmera se deixa levar pelas cenas nos camarins, quando a tinta que deixa a pele alva como a neve é aplicada, quando canetas aplicam cuidadosamente a maquiagem feminina e quando os kimonos efetivam a transição para os papéis que eles assumem. Há uma sensação de contagem regressiva acompanhando esses momentos, e ao zerar do cronômetro, Kokuho coloca em tela apresentações de kabuki que irão enfeitiçar até mesmo quem nunca se interessou pela arte.

Especialmente quando Kikuo e Shunsuke estão mais velhos, Kokuho aproxima seu foco cada vez mais do rosto dos atores durante essas apresentações. Lee deixa claro o teor físico de cada movimento, e como elementos como as vozes e coreografias trazem consigo um custo. Para pagá-lo, os atores muitas vezes devem estar dispostos a sacrificar tempo e relações com parentes e amigos para buscar a perfeição. Assim, Kokuho quase ganha o teor de um filme esportivo. Vemos duas pessoas que querem ser o melhor sentirem na pele, literalmente, o preço do sucesso.

Mas, se as cenas de kabuki são o auge de Kokuho, transmitindo os temas e conflitos da narrativa através da ação que se desenrola nos palcos, o filme sofre consideravelmente para manter o interesse em seus personagens quando a maquiagem é removida. Nos primeiros saltos temporais, até há uma curiosidade para entender as novas circunstâncias envolvendo Kikuo e Shunsuke, mas eventualmente fica claro que, por mais que as coisas à sua volta mudem, os dois protagonistas seguem praticamente estacionados emocionalmente. A relação de amor e ódio permanece nas mesmas linhas por boa parte da história, e só vem ganhar novos tons lá pelo ato final.

Pior é o trabalho com as personagens femininas, algo que se mostra particularmente incômodo num filme que tem um olhar tão atento para a figura da mulher. E, apesar de claramente não ser o interesse da obra, é no mínimo curioso ver quão pouco Kokuho investiga o ato de travestismo inerente ao kabuki, especialmente quando se há uma trama com tanta intimidade emocional entre dois homens.

A verdade é que o foco de Lee e do roteiro de Satoko Okudera está nos efeitos danosos de querer demais ser o melhor. Não é difícil traçar uma comparação entre Kokuho e algo como Rush: No Limite da Emoção ou Rivais – mas para algo tão vidrado na excelência, falta a este filme o combustível que abastece estes outros longas. Não nos importamos tanto com quem sairá por cima na competição entre Kikuo e Shunsuke, ainda que seja um prazer vê-los atuando.

Nota do Crítico

Kokuho: O Preço da Perfeição

Kokuho

2025
175 min
País: Japão
Direção: Sang-il Lee
Roteiro: Satoko Okudera, Shuichi Yoshida
Elenco: Ryo Yoshizawa, Ryusei Yokohama, Ken Watanabe
Onde assistir:
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