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Crítica

Journey's End | Crítica

Adaptação não tem o mesmo alcance emocional do texto original, mas entrega bons momentos

Natália Bridi
09.09.2017
16h53
Atualizada em
10.09.2017
10h00
Atualizada em 10.09.2017 às 10h00

A escolha de adaptar uma peça para os cinemas é uma tarefa complicada, principalmente em tramas confinadas como a de Journey’s End. Escrita por R.C. Sherriff em 1928, a trama acompanha um grupo de soldados ingleses na linha de frente da Primeira Guerra Mundial e se passa quase toda nas claustrofóbicas e imundas trincheiras que os separavam dos invasores alemães.

Porém, o que no teatro é um recurso narrativo comum, situar a história em um único cenário para que os diálogos movimentem a jornada, no cinema pode facilmente se tornar uma armadilha. Situações que se repetem, entradas e saídas de cena e longas explanações não têm o mesmo efeito, o que limita o filme dirigido por Saul Dibb e adaptado por Simon Reade a ser uma peça filmada, sem traduzir cinematograficamente o peso dramático da obra de Sherriff.

É uma questão de mostrar mais do que dizer, o que o filme erra principalmente na construção do seu protagonista, o capitão Stanhope, interpretado por Sam Clafin. O jovem militar sofre as dores da guerra e encontra consolo na garrafa, mas essa é uma descrição repetida constantemente por ele e outros personagens. Clafin nunca tem a chance de realmente buscar a dor de Stanhope. Espaço, porém, que o filme dá para o jovem segundo tenente Raleigh (Asa Butterfield), que chega ávido pela ação, e o tenente Osborne (Paul Bettany), um professor que calmamente observa o caos ao seu redor.

A beleza do texto de Sherriff está em como aquele grupo de homens de alta patente prestes a morrer (e responsáveis por outras vidas que serão perdidas) busca conforto em pequenos detalhes. Fazer a barba e as devidas refeições é uma lembrança necessária de que já existiu ordem, que depois do jantar havia espaço para a sobremesa. Quando explora esses momentos, Journey’s End diz mais do que nos longos diálogos dos seus personagens.

Esses momentos de ordem contrastam com as duas cenas de conflito, filmadas e montadas para reproduzir a confusão do conflito. Não há estratégia quando a visão se torna desfocada, os movimentos são trôpegos e diferenciar colegas de inimigos se torna um lance de sorte.

Essa adaptação de Journey’s End pode não ter o mesmo alcance emocional que tornou seu texto célebre, mas ainda assim entrega bons momentos quando descobre como usar a tela como palco.

Nota do Crítico
Bom