Foto de Johnny English 3.0

Créditos da imagem: Johnny English 3.0/Focus Features/Divulgação

Filmes

Crítica

Johnny English 3.0

Longa repete elementos de comédia conhecidos - e não há nada de errado nisso

Camila Sousa
05.11.2018
18h08
Atualizada em
06.11.2018
17h47
Atualizada em 06.11.2018 às 17h47

Existem alguns personagens que habitam o imaginário dos brasileiros e um deles é o Mr. Bean. Interpretado por Rowan Atkinson, ele aparecia (e ainda aparece) de vez em quando em horários da TV aberta e fechada com um humor característico: simples, físico e universal. Esses atributos aparecem também em Johnny English 3.0, novo filme protagonizado pelo ator.

O longa também foca bastante na diferença entre o clássico e o moderno. Na história, English não é mais um agente e passa seus dias dando aula para crianças em Londres. Ele é recrutado de volta quando um vírus expõe a identidade de todos os espiões que estão em atuação. É aqui que o filme começa a apresentar seu maior argumento: enquanto atualmente todos os agentes contam com smartphones e vários aparelhos eletrônicos, Johnny English usa ferramentas clássicas e prefere se manter offline - algo que também o protege da nova ameaça.

Rowan Atkinson abusa desse argumento várias vezes (de forma positiva) para fazer suas conhecidas piadas físicas. Ao contrário de muitas comédias que apostam na chacota do outro para causar riso, aqui a graça está em English e em suas próprias trapalhadas. Isso traz um ar nostálgico para quem acompanhava a série do Mr. Bean na TV e também uma certa inocência: o agente secreto nem sempre sabe o que está fazendo, mas se esforça para ser sempre o melhor possível e tem um bom coração.

Como toda a história acontece em Londres e é sobre um agente secreto, também não faltam brincadeiras com clássicos do gênero, como 007. Há, por exemplo, a femme fatale (interpretada por Olga Kulyenko), o parceiro fiel (Ben Miller), o vilão maquiavélico (Jake Lacy) e a primeira-ministra (a incrível Emma Thompson). Esses personagens são completamente caricatos dentro de suas personas, mas isso não é ruim. Unindo carisma e um humor espirituoso, eles funcionam dentro de suas propostas e complementam o já citado humor inocente de Atkinson.

Ao focar nas diferenças entre o uso da tecnologia ou a falta dela, Johnny English 3.0 faz um questionamento interno e também sobre a carreira de Atkinson: será que ainda existe espaço para um humor universal, que possui sim suas camadas, mas cujo cerne é extremamente simples? E a resposta é sim. Ainda que use elementos já vistos por seus fãs, Rowan Atkinson brilha mais uma vez como o “agente secreto atrapalhado” e causa risadas que são, ao mesmo tempo, fáceis e totalmente verdadeiras.

Nota do Crítico
Ótimo