Filmes

Crítica

X-Men 2 | Crítica

<i>X-Men 2</i>

Érico Borgo
30.04.2003
00h00
Atualizada em
04.11.2016
14h02
Atualizada em 04.11.2016 às 14h02

X-Men 2
(X2) EUA, 2003
Ação/ficção - 130min.

Direção: Bryan Singer

Roteiro: Zak Penn, Bryan Singer, David Hayter, Michael Dougherty, Daniel P. Harris

Elenco: Patrick Stewart, Hugh Jackman, Ian McKellen, Halle Berry, Famke Janssen, James Marsden, Rebecca Romijn-Stamos, Anna Paquin, Alan Cumming, Brian Cox, Bruce Davison, Kelly Hu, Shawn Ashmore, Aaron Stanford, Katie Stuart, Kea Wong, Daniel Cudmore, Shauna Kain

Há três anos, Bryan Singer e sua equipe de produção assumiram a difícil tarefa de convencer ótimos atores de que juntos eles poderiam realizar um longa-metragem sério baseado em histórias em quadrinhos - aquelas revistinhas que crianças lêem, como muita gente ainda pensa. O resultado, X-Men - O filme, não só foi um grande sucesso de público, como também abriu caminho para o lançamento de Homem-Aranha, uma das 10 maiores bilheterias da história do cinema.

Agora, o diretor de X-Men, responsável no passado pelos brilhantes Os suspeitos (The usual suspects, 1995) e O aprendiz (Apt pupil, 1997), retornou à franquia dos mutantes da Marvel Comics e, pela segunda vez em sua carreira, elevou o gênero das adaptações de quadrinhos a um novo patamar, superando até mesmo a qualidade e diversão conseguidos no filme do Aracnídeo.

X-Men 2 (X2, 2003) retoma a história do ponto exato em que parou no primeiro filme. Wolverine (Hugh Jackman) está no Canadá em busca de suas origens, Magneto (Ian McKellen) - o mestre do magnetismo - continua inalcançável em sua prisão de plástico e o Professor Charles Xavier (Patrick Stewart) mantém a conviccão que a coexistência pacífica entre mutantes e humanos é possível. Porém, essa causa se torna ainda mais desesperada quando um mutante tenta assassinar o presidente dos Estados Unidos.

A resposta direta do governo é a criação do grupo militar liderado pelo general William Striker (Brian Cox) que, ao lado de sua assistente Lady Letal (Kelly Hu), tem como objetivo capturar e interrogar os integrantes do centro de treinamento de mutantes - a Escola para Jovens Superdotados dirigida por Xavier. Contudo, a ação acaba forçando alianças inesperadas e une ainda mais os mutantes, que têm de se preparar para resgatar alguns de seus amigos e enfrentar a missão mais difícil de suas carreiras.

Respeito aos conceitos

Talvez a maior virtude da produção seja tratar o material-base com seriedade. Tanto os roteiristas quanto os produtores, atores e diretor, não encaram a história como uma aventura infantil, mas sim como um veículo relevante para diversas metáforas para problemas da humanidade. Racismo, crenças religiosas, preconceito, as mudanças de puberdade e intolerância são espelhados nos problemas enfrentados pelos pupilos de Xavier. A cena em que Bobby Drake, o Homem de Gelo, diz aos seus pais que é um mutante é, por exemplo, uma típica saída do armário de um adolescente que revela ser homossexual.

A difícil temática acima, velha conhecida dos fãs dos personagens nas HQs, não impede, entretanto, que a ação transcorra ininterrupta na produção. Em seus 130 minutos, cenas empolgantes de batalha se alternam com seqüências de diálogos inteligentes e bem conduzidos. É difícil não ficar fascinado com cada um dos personagens, mesmo os secundários.

Cada um dos X-Men e seus inimigos é relevante para a história e todos têm seus momentos de maior importância na trama. Ninguém fica de fora, coisa dificílima de se obter com uma dúzia (!) de personagens principais. Claro que a presença de Wolverine ocupa boa parte da projeção, afinal, o personagem é um dos mais populares da história das HQs, mas isso não restringe a participação dos demais. Noturno (Alan Cumming), por exemplo, um dos novos mutantes que foram apresentados neste filme, domina o início da aventura de forma que nunca foi capaz nos quadrinhos. A seqüência em que enfrenta sozinho vinte homens armados é espetacular. Se há uma ressalva é a pequena participação do Ciclope (James Marsden), mas sua cena final compensa tudo.

Singer também aproveita esta segunda aventura para promover alguns personagens que apareceram no primeiro filme. Pyro (Aaron Stanford), Homem de Gelo (Shawn Ashmore) e Vampira (Anna Paquin), apesar de continuarem como estudantes, já atuam no time principal e Colossus (Daniel Cudmore), Kitty Pryde (Katie Stuart) e Syrin (Shauna Kain) também aparecem usando seus poderes. Além disso, há citações sutis a pelo menos mais meia-dúzia de personagens, indício de que qualquer um deles pode ganhar mais espaço num provável terceiro filme da série, substituindo atores que talvez não queiram voltar à franquia (ou que peçam muito dinheiro para isso).

X-Men, best of

X-Men 2, mais uma vez, também consegue a façanha de utilizar elementos distintos de mais de 40 anos de aventuras dos mutantes com absoluta competência. Singer aparou excessos, costurou elementos desconexos e transplantou personagens e situações, independente do momento cronológico em que acontecem nas HQs. Há pelo menos três adaptações óbvias: Deus ama, o homem mata, Arma X e uma terceira, que não vou contar qual para não estragar a surpresa de quem ainda não viu o filme. O resultado final é brilhante e deve agradar ainda mais aos fãs, que vão se divertir encontrando as referências e relacionando acontecimentos.

Se continuar nesse passo, a franquia mutante no cinema vai se converter em um X-Men - Os melhores momentos. E tudo indica que é exatamente isso que vai acontecer, afinal, sozinho, o emocionante final do filme já é um prenúncio de que coisas muito importantes ainda vão acontecer com os pupilos de Charles Xavier.

Resta agora torcer para que X-Men 3 seja anunciado logo... Será uma longa, porém deliciosa espera.

Imagens © 20th Century Fox

Nota do Crítico
Excelente!