Voltando para Casa | Crítica
<i>Voltando para casa</i>
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Em resumo, Voltando para casa (Julie walking home, 2002) conta uma história de auto-ajuda, de renascimento. A Julie do título original, vivida pela bela Miranda "Eowyn" Otto, atravessa uma jornada de redescoberta depois de ser traída pelo marido, ofendida pelo pai e de ver o filho pequeno à beira da morte.
Mas não confie em resumos. O filme da polonesa Agnieszka Holland, de O jardim secreto (The secret garden, 1993), tem tantos altos e baixos, tantas idas e vindas que meia dúzia de parágrafos não bastariam para explicá-lo. Mistura de melodrama com romance, cabe até curandeirismo na polêmica receita da experiente diretora.
O elemento dominante é o exagero. Exagero de emoções, de closes, de tremores na câmera, coisa que, a princípio, não se recomendaria a uma narrativa que se propõe intimista. Desde a histeria incontida da primeira cena aos infortúnios finais, mais do que testar a sua protagonista, Agnieszka parece testar o espectador.
Bate constante a sensação de que a morte espera qualquer um na cena seguinte. Assim mesmo, sem aviso, tamanho a imprevisibilidade - ou o despropósito, dependendo do ponto de vista - com que transcorre a encenação. Agnieszka cresceu na Varsóvia destroçada pela Segunda Guerra, mas isso não explica totalmente o desprezo que demonstra em relação à conformação dos seus personagens. Entender a sua crítica aos dogmas religiosos, o seu elogio ao desapego e à intuição parece ser um caminho mais seguro para compreendê-la.
Mas Voltando para casa não é o tipo de filme que agrada a todos e que leva a uma única interpretação. Há quem se deixará manipular pelo drama, quem formulará teorias e muitos que, simplesmente, acusarão a história de rodar em falsa pretensão. Julie pode até, eventualmente, ganhar um merecido sossego no fim do filme. Mas os nervos da platéia não.
Voltando para Casa
Julie Walking Home
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