Você Que Eu Amo | Crítica
<i>Você Que Eu Amo</i>
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Você que eu amo (Ja ljublju tebja, 2004), dos diretores Olga Stolpovskaya e Dmitry Troitsky é o primeiro filme gay com mensagem positiva feito na Rússia. A sexualidade esteve dentro do armário entre 1917 e a glasnost, pois o regime comunista não permitia filmes que tratassem esse tema de forma objetiva. A homossexualidade era um tabu ainda maior.
A história concentra-se em três personagens. Vera, uma bela repórter televisiva, apaixona-se por Tim, um publicitário, assim que o conhece. Eles têm muito em comum: trabalham demais, são pagos de menos e vivem sob muito estresse. A relação vai bem até o dia do primeiro aniversário, quando Vera encontra Tim na cama com um homem, Uloomji. Os acontecimentos começam a sair de controle, no ritmo acelerado da vida de Moscou.
A produção acompanha a tendência atual, usando técnicas modernas e espalhafatosas, montagem fragmentada e música techno. O problema é que toda essa estética soa vazia e não transmite nada. Normalmente isso acontece em filmes que empregam essa atmosfera contemporânea sem um bom roteiro. O mesmo pode ser dito sobre o tratamento dado à homossexualidade no enredo. Os diálogos e situações não transmitem credibilidade e o filme acaba caindo nos velhos estereótipos sexuais. Enquanto temos várias cenas sensuais de Vera (em lingeries, ou até mesmo nua), os corpos de Timofei e Uloomji não são nada provocativos. A sexualidade de Timofei é introvertida, cerebral e seu corpo nunca é mostrado em situações sexuais. Mesmo nas cenas com Uloomji, as roupas permanecem ou são usados códigos representativos do desejo homossexual. Volta e meia um busto de Tchaikovsky, o mais famoso russo gay, rola pelo chão.
Outro motivo para a falta de sensualidade do longa são os atores, que não parecem confortáveis em seus papéis. Evgeny Koryakovsky interpreta Timofei tão vagamente, que parece que sua atração por Uloomji é alguma forma de estado de loucura temporária. Damir Badmaev, na pele de Uloomji, é um pouco melhor, mas também não convence. Fica a idéia que ambos os atores estavam com medo de serem confundidos com os personagens. A única que se salva é Lyubov Tolkalina no papel de Vera.
Após final feliz e clichê, a mensagem que fica é que a homossexualidade é uma herança da elite, que tem seus prazeres consumados pelas pessoas comuns, imigrantes e marinheiros. Assim, Você que eu amo acaba sendo um filme conservador, vendido como liberal.
Você que eu Amo
Ya lyublyu tebya
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