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Van Helsing - O Caçador de Monstros | Crítica

<i>Van Helsing - O caçador de monstros</i>

Marcelo Forlani
06.05.2004
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h16
Atualizada em 21.09.2014 às 13h16

Van Helsing - O caçador de monstros
Van Helsing
EUA, 2004 - 132 min.
Horror, Aventura

Direção: Stephen Sommers
Roteiro: Stephen Sommers

Elenco: Hugh Jackman, Kate Beckinsale, Richard Roxburgh, David Wenham, Shuler Hensley, Elena Anaya, Will Kemp, Kevin J. OConnor, Alun Armstrong, Silvia Colloca, Josie Maran, Tom Fisher, Samuel West, Robbie Coltrane, Stephen Fisher

A idéia era boa: ressuscitar os monstros clássicos da Universal Pictures, Lobisomem, Drácula e Frankenstein. Mas o cineasta Stephen Sommers, conhecido por resgatar outra famosa criatura do mesmo estúdio, A múmia (The Mummy, de1999), disse que não queria apenas fazer novos filmes com os personagens, pois ótimas histórias já haviam sido contadas, e assim resolveu colocá-los todos juntos.

E aí começam os problemas. Sommers apostou no conhecimento que todos têm dos monstros e nada acrescentou aos personagens. Van Helsing (o Wolverine, Hugh Jackman), que seria a cola a juntar todas estas peças, também não tem densidade suficiente para isso. Nem seus problemas existencialistas chegam a ser um drama para ele. O que poderia ser uma motivação, acaba se tornando um pequeno detalhe, jogado aqui e explicado ali. Algo menor do que a cinza do charuto fumado pelo mutante canadense.

O Van Helsing que vemos na tela é um servo de uma facção secreta da igreja, que passa seus dias eliminando monstros. Ele é uma espécie de James Bond do século 19, com permissão para matar e que conta até mesmo com um armeiro no estilo Q, Frei Carl, interpretado por David Wenham (o Faramir de O senhor dos Anéis). Na primeira aparição do herói, ele se encontra com um Mr. Hyde totalmente digital (talvez os melhores personagem e seqüência de toda a fita) na sala do sino da Catedral de Notre Dame, em Paris. Cara a cara com o monstro de dupla personalidade, Van Helsing diz que eles acabaram se desencontrando em Londres... e fica aquela interrogação no ar mas o filme começou agora. Do que eles estão falando?. Muito bem, este primeiro encontro entre caça e caçador aconteceu na capital inglesa e será mostrado no desenho animado Van Helsing: The London Assignment, que lá fora será lançado em DVD no dia 11 de maio e, ao que tudo indica, deve sair por aqui também, em breve.

E assim, somando dois com dois, fica fácil descobrir que Van Helsing, na verdade, não é um filme, mas sim uma linha de produtos. Além do longa-metragem e do DVD com o desenho animado, estão sendo produzidos videogames, uma série de desenhos animados para a TV e até mesmo uma atração nos parques de diversão da Universal. E, embora não haja ainda uma palavra oficial, a segunda parte da aventura do caçador de monstros é questão de tempo... e de sucesso nas bilheterias, claro. Só assim para descobrir como foi que Sommers conseguiu arrancar 150 milhões de dólares dos cofres da Universal apenas para a produção desta fita.

Sem parar

Toda esta dinheirama (sem contar os milhões gastos em publicidade e promoção) com certeza voltará ao local de onde saiu. Apesar de estar longe de ser ótimo filme de ação, Van Helsing deve agradar os espectadores que só querem duas horas de descanso para um cérebro fatigado e nada mais. A ação é realmente ininterrupta. Não há tempo nem para os créditos, que só vão aparecer ao fim do filme.

Da Transilvânia para Paris, de lá para Roma e de volta para a terra do Drácula, onde encontramos Anna Valerious (Kate Beckinsale), única sobrevivente de uma família amaldiçoada a deter o chupador de pescoços ou morrer tentando. A atriz, que pode ser vista também em Anjos da Noite (Underworld), não consegue escapar da armadilha montada pelo cineasta. Beckinsale, boa atriz, não tem espaço para desenvolver seu personagem, que parece só estar ali para enfeitar, usando calças coladas, corpete e um penteado cheio de cachos que não se destrói nem com fogo, nem com água... da chuva, pois, como ela mesma diz numa das cenas mais melosas do filme nunca viu o mar.

Se Sommers queria lágrimas da platéia, falhou feio, pois o riso foi uníssono no cinema. Da mesma forma, os monstros não causam medo, quiçá um ou outro sustinho. E assim, de uma briga aqui, para uma perseguição acolá, o filme passa seus 132 minutos em altíssima rotação. Uma outra triste conseqüência é que acaba não sobrando tempo para o clímax, a luta entre Van Helsing e o Drácula (Richard Roxburgh), que se torna apenas mais uma, entre as várias cenas de ação.

Com este filme, Stephen Sommers se iguala ao Dr. Frankenstein, que ao pegar pedaços mortos e juntá-los cria um monstro forte (financeiramente), mas que pode destruir sua vida (profissional).