Um Toque de Rosa | Crítica
<i>Um toque de rosa</i>
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O mundo já não é mais o mesmo. A cada ano, convenções e preconceitos caem por terra. Agora, chegou a vez da típica comédia romântica americana ganhar uma nova cara. No entanto, a grande diferença de Um toque de rosa (Touch of pink, de Ianigbal Rashid, 2004), não está na forma de contar a história, que segue a linha clássica dos ano 1930. A novidade é que o casal que a protagoniza é formada por gays.
Alim é um canadense descendente de indianos que trabalha em Londres como fotógrafo de cinema. Ele vive feliz, morando com o namorado Giles, mas as coisas se complicam quando sua mãe o pressiona a arrumar uma esposa muçulmana. O jovem, que tem Cary Grant como amigo imaginário, aceita o conselho do astro e passa a fingir que namora a irmã de Giles, até que a mãe finalmente descobre que o seu filho é gay e volta enfurecida para o Canadá. Alim vai atrás dela e nem Grant vai ser capaz de evitar a crise familiar.
O filme tem todos os elementos das tão populares comédias românticas. Desencontros, ciúmes, conflitos, situações engraçadas e um final feliz. O roteiro é previsível, mas qual a comédia romântica não é? O mérito do diretor é contar sua história sem estereotipar os protagonistas. Ele trata o assunto com simplicidade, inteligência e humor.
A grande sacada foi incluir Cary Grant como conselheiro imaginário de Alim. As tiradas do personagem carregam o filme. Suas idéias e conclusões provocam gargalhadas no público. Kyle MacLachlan faz um Cary Grant perfeito. Ele fala e anda igual ao falecido astro de Hollywood e incorpora todos seus tiques e maneirismos. O detalhe é que toda vez que ele aparece na tela está usando algum figurino dos filmes de Grant. Outra idéia genial foi colocar cenas de alguns destes filmes clássicos entre as situações absurdas vividas por Alim.
Um Toque de Rosa é uma comédia romântica dos anos 50, só que contemporânea. Um filme sobre a diversidade de culturas, valores e sexualidade. A produção fez muito sucesso no último Sundance Film Festival e já está com a distribuição garantida em vários países, inclusive no Brasil. Finalmente Hollywood está revendo seus conceitos. E pensar que o astro Rock Hudson, que atuou em diversas produções do gênero nos anos 1950, foi obrigado pelos estúdios a esconder sua homossexualidade.
Um Toque de Rosa
Touch of Pink
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