Shadowboxer | Crítica
<i>Shadowboxer </i> - Mostra de SP
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A julgar pelo seu argumento banal e recheado de clichês, Shadowboxer (EUA, 2005) tinha tudo para cair no esquecimento. Porém, nas mãos do diretor Lee Daniels transforma-se em uma obra autoral. Produtor de filmes como O Lenhador e A Última Ceia, Daniels tem um estilo que foge do usual e faz valer a ida ao cinema pela experiência visual apresentada.
Na trama, Mike (Cuba Gooding Jr) é um assassino de aluguel que vive com Rose (Helen Mirren), uma mulher bem mais velha que ele, que é sua parceira de trabalho. No início, é difícil identificar que tipo de relação há entre os dois, porém, durante o desenvolvimento da trama, a motivação de ambos é explicada através de cenas entre eles e flashback. Rose é doente e está perto do fim. Isso nunca a impediu antes de cumprir seus contratos, mas quando a dupla recebe uma encomenda para matar um grupo de pessoas, ela se depara com uma grávida e, pela primeira vez, fica abalada. Na vida ainda a nascer, Rose vê a chance de acertar suas dívidas com o Criador. Contudo, sua redenção trará conseqüências para todos os envolvidos. A direção competente salva o fraco e requentado roteiro. Lee Daniels abusa dos tons azuis e dos cinzas, brincando com a frieza que os personagens encaram as situações. Apenas nas horas de clímax os elementos, que serão essenciais para a sua consumação, são representados em cores fortes e quentes, destacando-os do resto. Um bom exemplo disso surge logo no início, quando o vilão e seus asseclas estão envoltos por tonalidades de azul e a arma utilizada no crime e a vítima estão limitadas num campo amarelo. A trilha sonora é diversificada e ajuda bem a complementar a história. Há músicas clássicas, instrumentais, rap, tango (este último trazendo a tona à previsão de uma tragédia). Lee aproveita muitas das cenas em câmera lenta para acentuar o sentimento dos personagens. Tudo com o cuidado extremo da leitura visual e auditiva. Nenhum elemento é casual. Quanto ao elenco, Helen Mirren está divina como sempre. Sua presença é um presente ao espectador. Já Cuba Gooding Jr surpreende interpretando Mike. Ele faz uso de poucos gestos e baseia sua atuação apenas no olhar. Já o bandido Clayton (Stephen Dorff) não inova, são sempre as mesmas caras e bocas, não muda a cara de canalha, a mesma do vampiro vilão de Blade. É interessante notar também que a história mostra que laços de sangue nem sempre são eternos e confiáveis. A ligação emocional pode ser mais forte que o parentesco, aqueles por quem temos amor podem ser escolhidos e não necessariamente herdados. Ao final, Shadowboxer une o melhor dos dois mundos. É uma boa história policial e traz ricas experiências visuais. Interessante.
Matadores de Aluguel
Shadowboxer
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